Sentindo uma enorme dor no coração com toda essa história das crianças no Rio de Janeiro. Dor profunda e estranha. O mundo é estranho. Choro pelas crianças. Sofro pelo que temos nos tornado.
Eu acredito que nós, seres humanos, somos todos uma mesma e única coisa. Quando acontece algo desse tipo com um de nós, acontece com todos nós, acho que isso a gente ainda conserva de humanidade. Não acho que a gente sinta apenas o medo da possibilidade de que possa acontecer com a gente a qualquer momento. Também fico pensando, meu Deus, se fosse Hannah? 12 anos, menina... Mas acho que de alguma forma foi Hannah, fui eu, foi você, porque foi um ser humano e, no fundo, no fundo, somos um. Apenas um. Se um dia essa tristeza passar ou não nos tocar, porque foi com alguém de longe, é porque não temos mesmo mais como seguir adiante, porque como humanidade estaremos condenados ao fracasso enquanto espécie. As conquistas do homem só fazem sentido se forem para todos. Senão, é apenas um detalhe. Só fica, histórica, cultural e biologicamente aquilo que ajuda a todos. Que ainda seja a capacidade de nos comovermos com o que acontece ao outro.
Ontem, uma mulher brigou com o motorista do busu (que também é cobrador) e concluiu com uma frase impactante, alto e em bom tom, sentindo-se ourgulhosa da declaração: "É por isso que pessoas como vc não saem do lugar que estão". Desceu do busu (frescão) sacudindo seu belo cabelão e trotando sobre seus saltos. Ela não percebe que faz parte (como eu, como todos nós com nossas posturas de ódio, preconceito e frieza) dos alicerces que constróem o mundo como este que desemboca num massacre de crianças. Aí, uma outra pessoa, em outra ocasião, mas no mesmo dia, vem se queixar comigo de que a babá é muito folgada. Só chega atrasada e fica mentindo que a filha tá doente. Que ela é uma mal agradecida, porque esta digníssima patroa paga salário, carteira assinada e plano de saúde. Que no outro trabalho ela era humilhada e deveria, portanto, tratar este emprego com mais gratidão. Eu lembrei a ela que ela não faz mais do que a obrigação e que a empregada não deve gratidão nenhuma a ela e nem ela é uma heroína só por cumprir seus deveres de empregadora. Aí me parece estar ilustrada uma parte pequena, mas representativa, de algumas causas de estarmos num mundo tão torpe. Não nos vemos como iguais, humanos. Talvez nunca tenhamos nos visto assim, mas hoje eu penso que a encruzilhada é: não somos vítimas de um sistema, somos a causa dele. E ele se vira para nós. Estamos piorando o mundo para nós mesmos. Ai, cansei. Tô bem triste hoje. E assustada. Queria um mundo mais levezinho. Quero voltar para Capela. É mutia expiação!
Detector de metais? Máquina nenhuma vai nos deter de nós mesmos. Nã é uma máquina que resolver nossos problemas. Só afeto. "A culpa do crime, nunca é da faca". Eduardo Galeano
É preciso muita disposição e coragem para fadermos auto-críticas sinceras. Repousar a cabeça sobre o travesseiro tem sido cada vez mais difícil. Deve haver algo de muito produtivo em cada semente de amor que a gente planta numa sala de aula, em cima de um palco, na mesa do café com as crianças. Ou eu acredito nisso, ou nem levanto da cama.
Em Tomates Verdes Fritos, uma personagem diz que deve haver um deus especial só para as criançãs. Eu quero acreditar nisso agora, tanto pelas que foram, quanto pelas que ficaram com a lembrança de um dia tão terrível.
LUTO. DEDICAREI BOLINHAS DO MEU ROSÁRIO PARA ESSAS FAMÍLIAS QUE DEVEM ESTAR SENTINDO A MAIOR DOR DE SUAS VIDAS.
Depois da pesquisa de mestrado realizada no PPGAC - UFBA, intitulada TEATRO X FUTEBOL: Por uma dramaturgia do espetáculo futebolístico, dou continuidade à pesquisa em nível de doutorado: A EXPERIÊNCIA TRÁGICA DO TORCEDOR: o Futebol como espetáculo absoluto do Século XX. Neste blog pensamentos, perguntas, problematizações, cotidianices, política, arte, poesia. TEATRO E FUTEBOL juntos, porque entre o campo e o palco, entre o jogo e peça existem mais parentescos do que supõe a nossa vã filosofia.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
O FEMININO NO UNIVERSO DO FUTEBOL
Não.
Não vou tratar de questões de gênero numa perspectiva antropológica sobre a presença, ou a relação das mulheres com o futebol. Existe uma abordagem muito interessante proposta por um amigo e colega de doutorado. Ele sugere um olhar (mais simbólico do que antropológico) para o que ele considera ser típico do futebol e do teatro. Rodrigo Dourado, ele próprio estudioso de questões de gênero, considera que o futebol é masculino e o teatro feminino. Por sua própria configuração, pela energia investida em cada um, pela forma como nos relacionamos com cada um deles. Curioso, né? Mas, não é ainda sobre isso que eu vou escrever, até porque ainda não estudei nem bati cabela sobre o assunto, apesar de concordar e achar muito instigante sua proposta.
Vou falar, muito cotidianamente do que tenho visto em termos de participação feminina no universo, sobretudo televisivo, das transmissões e comentários de futebol.
Eu própria nunca fui, até começar a pesquisar, uma grande apaixonada pelo futebo. Torcia para o Corinthians porque morava em Sampa e meu pai fiel torcedor, levou a família junto. Já minha irmã mais velha, ah, essa sempre foi um moleque para o lado de futebol. De bater embaixadinha e tudo mais. De deixar muito barbado em mesa de bar caladinho - sobretudo os sãopaulinos e palmeirenses - quando começava a discorrer sobre o tema. Eu sempre achei muito bonito o jeito como ela sempre foi apaixonada pelo futebol e quem sabe Freud não vai achar lá na nossa relação as causas de eu estudar futebol.
Ela sempre dizia que queria ser apresentadora de programa de futebol, ou comentarista e na época em que ela profetizava o que então parecia absurdo, o território era mesmo dos histriônicos barrigudos.
Mas, muita coisa mudou. Minha irmã dedicou-se mesmo à educação (de seus filhos e dos outros) e hoje é professora - como eu. E as TV's estão repletas de mulheres falando sobre futebol.
Até porque, esteve no nosso imaginário até bem pouco tempo, que mulher que gosta de futebol - e entende - é um tipo masculinizado. Era justamente isso que eu achava surreal em minha irmã. Ela é linda e delicada e falava de futebol como um verdadeiro especialista de buteco (que são os melhores, diga-se de passagem!)
Aí eu fico prestando atenção aos comentários das moças e algumas vezes parece ter uma coisa meio estudada, meio decorada, aquele comentário que é pura retórica (não que os comentários masculinos sejam lá muito diferentes disso), mas parece, em alguns casos, que há um desconforto com o assunto e que a presença de um rosto - e corpo - feminino se impõe mais do que a experiência mesmo da colega no assunto. Note que reforçando minha hipótese do fetiche, ainda não temos uma participação significativa de mulheres nas transmissões de rádio, porque porque neste veículo, o que importa é de fato o que têm a dizer, e não a sua imagem, como na TV.
Deixando um pouco de lado as transmissões, quero dizer que tem uma mulher que manda bem em termos de futebol, que é Clara Albuquerque, colunista do Correio da Bahia. Gosto muito do seu blog Oras Bolas http://www.correio24horas.com.br/blogs/ora-bolas/. Lá, ela faz uma inteligentíssima brincadeira com a coisa do gênero, elegendo, depois dos comentários, os fatos que são o pretinho-básico ou o esporte-fino da semana, tirando sarro, ela mesma, do fato de ser uma comentarista mulher, trazendo para o futebol uma aproximação com o 'aparentemente feminino' mundo da moda.
Bom, de salto alto ou sapatilha, estamos nós mulheres invadindo este espaço quer seja com a conivência deles por nosso corpão, quer seja por nossos comentários inovadores e olhar inusitado, não importa. Por onde quer que entremos, estamos lá e acho este um fato importante do futebol recente e das conquistas femininas.
A tempo: minha irmã continua fanática por futebol, fiel ao timão (fez seus filhos renegarem o São Paulo do pai e se tornarem corintianos roxos) é uma linda e sedutora professora que vez ou outra incrementa suas aulas de História falando de futebol. Os alunos adoram!!!
É bolada, mulherada!!!
Não vou tratar de questões de gênero numa perspectiva antropológica sobre a presença, ou a relação das mulheres com o futebol. Existe uma abordagem muito interessante proposta por um amigo e colega de doutorado. Ele sugere um olhar (mais simbólico do que antropológico) para o que ele considera ser típico do futebol e do teatro. Rodrigo Dourado, ele próprio estudioso de questões de gênero, considera que o futebol é masculino e o teatro feminino. Por sua própria configuração, pela energia investida em cada um, pela forma como nos relacionamos com cada um deles. Curioso, né? Mas, não é ainda sobre isso que eu vou escrever, até porque ainda não estudei nem bati cabela sobre o assunto, apesar de concordar e achar muito instigante sua proposta.
Vou falar, muito cotidianamente do que tenho visto em termos de participação feminina no universo, sobretudo televisivo, das transmissões e comentários de futebol.
Mas, muita coisa mudou. Minha irmã dedicou-se mesmo à educação (de seus filhos e dos outros) e hoje é professora - como eu. E as TV's estão repletas de mulheres falando sobre futebol.
Eu acho que, tem uma importante conquista de espaço aí, sem dúvida, mas sinto que tem um fetichismo também. Já repararam que as mulheres que comentam ou apresentam programas de futebol são lindas e imensas loiras, com um toque de garota de propaganda de cerveja?
Pode ser que eu esteja com uma puta dor de cotovelo por não estar dando meu carão nos programas (nem ser gostosona como elas), mas não podemos negar que tem uma coisa meio fantasiosa nestes programas 'masculinos'. Mulherão falando de futebol é o sonho de qualquer marmanjo, né, não?Aí eu fico prestando atenção aos comentários das moças e algumas vezes parece ter uma coisa meio estudada, meio decorada, aquele comentário que é pura retórica (não que os comentários masculinos sejam lá muito diferentes disso), mas parece, em alguns casos, que há um desconforto com o assunto e que a presença de um rosto - e corpo - feminino se impõe mais do que a experiência mesmo da colega no assunto. Note que reforçando minha hipótese do fetiche, ainda não temos uma participação significativa de mulheres nas transmissões de rádio, porque porque neste veículo, o que importa é de fato o que têm a dizer, e não a sua imagem, como na TV.
Deixando um pouco de lado as transmissões, quero dizer que tem uma mulher que manda bem em termos de futebol, que é Clara Albuquerque, colunista do Correio da Bahia. Gosto muito do seu blog Oras Bolas http://www.correio24horas.com.br/blogs/ora-bolas/. Lá, ela faz uma inteligentíssima brincadeira com a coisa do gênero, elegendo, depois dos comentários, os fatos que são o pretinho-básico ou o esporte-fino da semana, tirando sarro, ela mesma, do fato de ser uma comentarista mulher, trazendo para o futebol uma aproximação com o 'aparentemente feminino' mundo da moda.Suas participações nas transmissões da TV Bahia ainda são tímidas. Ela é bonita, mas não tem aquela cara de modelo de calendário de oficina. Acho que ela pode entrar mais pesado nos comentários. Entendo o suposto desconforto, porque no blog ela comenta mais sobre o universo do futebol, as principais notícias da semana e faz reflexões sobre isso. Na transmissão, ela tem que comentar o jogo, o desempenho técnico dos participantes, os resultados das tabelas e talvez isso lhe interesse menos. Mas, gosto de ver o espaço que ela vem ocupando, apesar de sentir lá no fundinho de minha torpe humanidade um tiquinho de inveja.
Bom, de salto alto ou sapatilha, estamos nós mulheres invadindo este espaço quer seja com a conivência deles por nosso corpão, quer seja por nossos comentários inovadores e olhar inusitado, não importa. Por onde quer que entremos, estamos lá e acho este um fato importante do futebol recente e das conquistas femininas.
A tempo: minha irmã continua fanática por futebol, fiel ao timão (fez seus filhos renegarem o São Paulo do pai e se tornarem corintianos roxos) é uma linda e sedutora professora que vez ou outra incrementa suas aulas de História falando de futebol. Os alunos adoram!!!
É bolada, mulherada!!!
sábado, 12 de março de 2011
MEU TIME É A MINHA PÁTRIA - Texto da Nova edição da Beleza Bahia
Gentes.
Saiu a nova edição da Revista Beleza Bahia, para a qual eu tenho o prazer de escrever duas colunas. Uma se chama Belezas Inusitadas, cujo texto está agora disponível em http://www.artedoespectador.blogspot.com/.
O texto abaixo é da coluna de futebol. Quem se interessar em conhecer a revista, pode acessar o link: http://www.belezabahia.com.br/site_antigo/web/revista/index.html. Ainda não tem a edição nova (com Cláudia Leite na capa) mas em breve, com certeza estará. Você pode conferir as outras edições. Chega de blablabla. Vamos ao texto:
MEU TIME É A MINHA PÁTRIA.
Quando, numa discussão sobre futebol, alguém diz que não entende como um torcedor do Vitória pode não torcer pelo Bahia em campeonatos nacionais, em situações em que o time enfrenta times do Sul e Sudeste e vice-versa, a gente percebe logo que essa pessoa não é um torcedor fanático e, portanto, não consegue identificar – nem na prática, nem na teoria – o verdadeiro sentido de fazer parte da torcida por um time de futebol.
O discurso de defesa da territorialidade a partir do ponto de vista geográfico, levando em consideração nossa organização político-espacial (a divisão do país em regiões e estados), deixa de considerar, logo de cara, outra possibilidade de organização social e cultural. Uma forma de organização escolhida pelo próprio sujeito, que se organiza sobre outras lógicas, outros pontos de vista, outros parâmetros e que diz respeito, portanto, a outras dimensões da vida particular e coletiva.
Nascido em determinada região ou estado, a pessoa – mesmo que venha a morar em outras cidades – terá sempre esta identificação com o lugar natal. Esta informação está lá, impressa em seu documento de identidade. O que é muito bom, porque revela informações importantes de sua genealogia, de sua cultura, de seus ancestrais e suas histórias. Mas, esta forma de nos identificarmos, é externa e, mais que isso, anterior à pessoa. Ela não envolve, em nenhuma medida, o seu poder de decisão. Seu documento de identidade identifica apenas uma parte dela. E acreditar nesta identificação como sendo a única possível ou mesmo a mais importante é uma postura arriscada, que reflete o pensamento de uma corrente que vê apenas uma parte da história.
Claro que eu tenho cá minhas questões com as diferenças de oportunidades entre as regiões do Norte-Nordeste e Sul-Sudeste. Sou atriz e sei o quanto o eixo Rio – São Paulo não só monopoliza boa parte das oportunidades, como impõe seus padrões para o restante do país como sendo o padrão de qualidade. Isso no mundo acadêmico, editorial, de moda, enfim, nas mais diversas dimensões. E sei que isso acontece também no futebol, Leia a revista Placar e veja que ela trata quase exclusivamente dos times destes dois estados, com exceções, talvez, para os times mineiros e gaúchos. Ela pode se defender com o argumento de que são os times com melhores campanhas na primeira divisão do campeonato brasileiro, mas a gente sabe que uma coisa leva a outra e que a atenção de fato é maior para os maiores times, das maiores cidades, dessas que não são as maiores (em termos de expansão territorial), mas sem dúvida funcionam como ‘as mais importantes’ regiões do nosso país. Importantes do ponto de vista da produtividade e do capital que geram. Ora, o mundo é muito mais do que isso. Ainda bem.
É nesta hora que eu pergunto: não seria o comportamento do torcedor doente, fanático, justamente a maior resistência contra este modelo que nos impõe uma identidade arbitrariamente, sem que ao menos sejamos consultados? Torcer contra o Vitória e pelo Palmeiras, contra o Bahia e pelo Coritiba, mesmo você sendo baiano, não seria justamente dizer que o critério político-geográfico, nestas circunstâncias, não quer dizer absolutamente nada e nem sequer serve como ponto de referência? O entrega-entrega da final do campeonato brasileiro foi um grande exemplo da força da identificação com o time em contraste com a identificação do estado. Palmeirenses e são paulinos gritavam nas arquibancadas: Entrega! Entrega! Lamentavam o gol do próprio time, comemorando o gol do adversário. Esquizofrenia? Não. Apenas a força de combater o inimigo como uma das formas mais eficazes de afirmar a mim mesmo.
Quando desconsideramos estas questões, por mais que os politizados de plantão insistam em dizer que é ignorância política, pode ser justo o contrário. Pode ser o mais nobre e politizado dos comportamentos democráticos: a escolha. EU escolho os critérios de importância para MEU posicionamento. EU escolho torcer pelo MEU time. Eu escolho que a minha relação íntima e pessoal como o clube do meu coração é muito mais importante do que a relação político-geográfica que querem me fazer crer ser mais inteligente do que minha escolha emocionada e passional. Eu sou muito mais do que diz o meu Registro Geral de identidade. Eu sou muito maior do que um documento.
Não há nada mais libertador do que a torcida incondicional a um time. Somos livres porque, mais do que ser torcedores do nosso time, somos nosso próprio time. E no fundo, no fundo, torcer contra o clube inimigo, mesmo sendo ele meu conterrâneo é assumir, de outro ponto de vista, a própria naturalidade, porque nos relacionamos com o nosso estado não apenas de forma burocrática e oficial (ditada pela frieza da minha certidão de nascimento), mas a partir de seus times de futebol, instituições, muito mais humanas do que cartórios e fóruns.
A relação com os times, que o preconceito dos intelectuais talvez não permita compreender como sendo uma possibilidade relevante de existência coletiva, nos permite ultrapassar os limites da racionalidade e tocar o imponderável da existência. Meu time é a minha pátria. Meu time é a melhor parte de mim. Meu time sou eu.
Saiu a nova edição da Revista Beleza Bahia, para a qual eu tenho o prazer de escrever duas colunas. Uma se chama Belezas Inusitadas, cujo texto está agora disponível em http://www.artedoespectador.blogspot.com/.
O texto abaixo é da coluna de futebol. Quem se interessar em conhecer a revista, pode acessar o link: http://www.belezabahia.com.br/site_antigo/web/revista/index.html. Ainda não tem a edição nova (com Cláudia Leite na capa) mas em breve, com certeza estará. Você pode conferir as outras edições. Chega de blablabla. Vamos ao texto:
MEU TIME É A MINHA PÁTRIA.
Quando, numa discussão sobre futebol, alguém diz que não entende como um torcedor do Vitória pode não torcer pelo Bahia em campeonatos nacionais, em situações em que o time enfrenta times do Sul e Sudeste e vice-versa, a gente percebe logo que essa pessoa não é um torcedor fanático e, portanto, não consegue identificar – nem na prática, nem na teoria – o verdadeiro sentido de fazer parte da torcida por um time de futebol.
O discurso de defesa da territorialidade a partir do ponto de vista geográfico, levando em consideração nossa organização político-espacial (a divisão do país em regiões e estados), deixa de considerar, logo de cara, outra possibilidade de organização social e cultural. Uma forma de organização escolhida pelo próprio sujeito, que se organiza sobre outras lógicas, outros pontos de vista, outros parâmetros e que diz respeito, portanto, a outras dimensões da vida particular e coletiva.
Nascido em determinada região ou estado, a pessoa – mesmo que venha a morar em outras cidades – terá sempre esta identificação com o lugar natal. Esta informação está lá, impressa em seu documento de identidade. O que é muito bom, porque revela informações importantes de sua genealogia, de sua cultura, de seus ancestrais e suas histórias. Mas, esta forma de nos identificarmos, é externa e, mais que isso, anterior à pessoa. Ela não envolve, em nenhuma medida, o seu poder de decisão. Seu documento de identidade identifica apenas uma parte dela. E acreditar nesta identificação como sendo a única possível ou mesmo a mais importante é uma postura arriscada, que reflete o pensamento de uma corrente que vê apenas uma parte da história.
Claro que eu tenho cá minhas questões com as diferenças de oportunidades entre as regiões do Norte-Nordeste e Sul-Sudeste. Sou atriz e sei o quanto o eixo Rio – São Paulo não só monopoliza boa parte das oportunidades, como impõe seus padrões para o restante do país como sendo o padrão de qualidade. Isso no mundo acadêmico, editorial, de moda, enfim, nas mais diversas dimensões. E sei que isso acontece também no futebol, Leia a revista Placar e veja que ela trata quase exclusivamente dos times destes dois estados, com exceções, talvez, para os times mineiros e gaúchos. Ela pode se defender com o argumento de que são os times com melhores campanhas na primeira divisão do campeonato brasileiro, mas a gente sabe que uma coisa leva a outra e que a atenção de fato é maior para os maiores times, das maiores cidades, dessas que não são as maiores (em termos de expansão territorial), mas sem dúvida funcionam como ‘as mais importantes’ regiões do nosso país. Importantes do ponto de vista da produtividade e do capital que geram. Ora, o mundo é muito mais do que isso. Ainda bem.
É nesta hora que eu pergunto: não seria o comportamento do torcedor doente, fanático, justamente a maior resistência contra este modelo que nos impõe uma identidade arbitrariamente, sem que ao menos sejamos consultados? Torcer contra o Vitória e pelo Palmeiras, contra o Bahia e pelo Coritiba, mesmo você sendo baiano, não seria justamente dizer que o critério político-geográfico, nestas circunstâncias, não quer dizer absolutamente nada e nem sequer serve como ponto de referência? O entrega-entrega da final do campeonato brasileiro foi um grande exemplo da força da identificação com o time em contraste com a identificação do estado. Palmeirenses e são paulinos gritavam nas arquibancadas: Entrega! Entrega! Lamentavam o gol do próprio time, comemorando o gol do adversário. Esquizofrenia? Não. Apenas a força de combater o inimigo como uma das formas mais eficazes de afirmar a mim mesmo.
Quando desconsideramos estas questões, por mais que os politizados de plantão insistam em dizer que é ignorância política, pode ser justo o contrário. Pode ser o mais nobre e politizado dos comportamentos democráticos: a escolha. EU escolho os critérios de importância para MEU posicionamento. EU escolho torcer pelo MEU time. Eu escolho que a minha relação íntima e pessoal como o clube do meu coração é muito mais importante do que a relação político-geográfica que querem me fazer crer ser mais inteligente do que minha escolha emocionada e passional. Eu sou muito mais do que diz o meu Registro Geral de identidade. Eu sou muito maior do que um documento.
Não há nada mais libertador do que a torcida incondicional a um time. Somos livres porque, mais do que ser torcedores do nosso time, somos nosso próprio time. E no fundo, no fundo, torcer contra o clube inimigo, mesmo sendo ele meu conterrâneo é assumir, de outro ponto de vista, a própria naturalidade, porque nos relacionamos com o nosso estado não apenas de forma burocrática e oficial (ditada pela frieza da minha certidão de nascimento), mas a partir de seus times de futebol, instituições, muito mais humanas do que cartórios e fóruns.
A relação com os times, que o preconceito dos intelectuais talvez não permita compreender como sendo uma possibilidade relevante de existência coletiva, nos permite ultrapassar os limites da racionalidade e tocar o imponderável da existência. Meu time é a minha pátria. Meu time é a melhor parte de mim. Meu time sou eu.
segunda-feira, 7 de março de 2011
MAIS CARNAVAL EM ARTE DO ESPECTADOR
Bem que Jesus avisou para não ter dois deuses (nem dois blogs) porque acabaria alimentando um e esquecendo do outro.
Pra resolver isso, vim buscar vocês aqui para lerem sobre carnaval lá no outro:
http://www.artedoespectador.blogspot.com/
Vai ser um prazer recebê-los lá.
É que aqui eu tô meio sem assunto. Não vou comentar sobre o exagero da Globo na transmissão de Ronaldinho Gaúcho na Portela e na Mangueira, né. A Globo força a barra quando quer fazer a gente acreditar que uma coisa é importante. Eu só via fotógrafos e câmeras atrás de Ronaldinho. Um saco!!!
É bolada, Folião.
Pra resolver isso, vim buscar vocês aqui para lerem sobre carnaval lá no outro:
http://www.artedoespectador.blogspot.com/
Vai ser um prazer recebê-los lá.
É que aqui eu tô meio sem assunto. Não vou comentar sobre o exagero da Globo na transmissão de Ronaldinho Gaúcho na Portela e na Mangueira, né. A Globo força a barra quando quer fazer a gente acreditar que uma coisa é importante. Eu só via fotógrafos e câmeras atrás de Ronaldinho. Um saco!!!
É bolada, Folião.
quarta-feira, 2 de março de 2011
CARNAVAL - A ALMA GÊMEA DO FUTEBOL
Ouvi certa vez na rua: Na Bahia só existem três religiões: O candomblé, o Baêa e O Chiclete com Banana. Achei genial.
Estamos à beira do carnaval, esse irmão gêmeo do futebol. Diversos sociólogos e antropólogos concordam que existe uma parecência enorme entre estes dois eventos que envolvem paixão, corpo, alegria e uma certa atitude non-sense no ser humano.
Mas, quem mais sabe disso é o torcedor-folião. É, aquele maluco da Bamor ou da Imbatíveis que sai nAs Muquiranas, que pula de quinta a quarta (veja que a lógica da semana é subvertida no carnaval baiano). É o povo que passa por seus apertos diários, que exibe sua falta de educação e cidadania (fruto da educação que lhe é de direito mas lhe foi sequestrada). É ess
a gente que gosta mesmo é de ser feliz, nem que seja de propósito, esquecendo DELIBERADAMENTE das agruras do dia-a-dia - suas próprias e a de seus iguais.
Mas, quem mais sabe disso é o torcedor-folião. É, aquele maluco da Bamor ou da Imbatíveis que sai nAs Muquiranas, que pula de quinta a quarta (veja que a lógica da semana é subvertida no carnaval baiano). É o povo que passa por seus apertos diários, que exibe sua falta de educação e cidadania (fruto da educação que lhe é de direito mas lhe foi sequestrada). É ess
a gente que gosta mesmo é de ser feliz, nem que seja de propósito, esquecendo DELIBERADAMENTE das agruras do dia-a-dia - suas próprias e a de seus iguais.
Hoje vi um clip de danças de rua nestes canais de clips e vi que somos muito originais e que é muito preciosa a forma como dançamos. Já sou franca admiradora do arrocha, que gostaria muito de saber dançar, sobretudo com parceiro, mas cada vez mais me encanta como somos dançarinos natos.
Voltando ao nosso carnaval, a cidade fica uma loucura. Eu acho muito bom essa coisa de se transformar uma cidade por conta de uma festa. Acho isso simplesmente revolucionário. Os europeus enlouquecem com essa possibilidade e por coisas assim o francês Michel Maffesoli acha que somos exemplo para o mundo pós-moderno. Tudo bem que quem mora aqui sofre demais com essas transformações. A Barra fica impossível. Mas isso não é culpa da festa. É culpa da falta de educação e cidadania. Se é pra montar camarote na calçada, custava colocar corredores na pista para a gente passar? Pedestre realmente não tem vez em Salvador, mas isso já é outra conversa.
Li uma entrevista de Jacques Wagner onde ele diz que não tem medo da Copa do Mundo. Quem faz o maior carnaval do mundo, um carnaval que dura uma semana e que recebe números asssombrosos (que no momento eu não sei quais são) no carnaval, lotando ruas e avenidas, não vai se assustar com uns gatos pingados que virão ver a Copa (obviamente que estas palavras toscas são minhas e não dele.) Acho lindo termos uma indústria do prazer, da música, do entretenimento, da felicidade. Só acho uma pena que poucos lucrem de fato com essa indústria e que muitos paguem a conta.
Mas, volto a repetir, a culpa aqui, não é da festa.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
EH, BAIANÃO DIFÍRCE...
O que é isso, Bahia?
Foi o excesso de alegria pelo acesso de 2010?
É por conta dos salários atrasados?
Tá substimando os times do interior?
Tá com preguiça de jogar nas cidades do interior da Bahia?
Seja lá qual for o motivo, ele tem que aparecer. Para nos dar uma satisfãção e para ser corrigido.
Chega de perder, gente. a gente tá cansado.
Foi o excesso de alegria pelo acesso de 2010?
É por conta dos salários atrasados?
Tá substimando os times do interior?
Tá com preguiça de jogar nas cidades do interior da Bahia?
Seja lá qual for o motivo, ele tem que aparecer. Para nos dar uma satisfãção e para ser corrigido.
Chega de perder, gente. a gente tá cansado.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
CONCURSO MOBILIZAÇÃO TRICOLOR NA VIRADA
Gente, eu participei de um concurso de homenagens ao Bahia pelo acesso à Série A, e meu texto, publicado aqui no blog no finalzinho do ano passado foi um dos contemplados.
Além da alegria, eu ganhei uma camisa do time, ingressos para um jogo do baianão.
Confira os vencedores da promoção.
http://www.esporteclubebahia.com.br/80anos.asp
É bolada, vencedor!!!
Além da alegria, eu ganhei uma camisa do time, ingressos para um jogo do baianão.
Confira os vencedores da promoção.
http://www.esporteclubebahia.com.br/80anos.asp
É bolada, vencedor!!!
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
JAEL DEU UMA PORRADA NA FALTA DE RESPEITO
acordos, desrespeitam contratos, e jogam no lixo qualquer traço ético que poderia haver na relação.
Será que o desempenho lamentável do time do Bahia no Baianão não estaria relacionado com essa novela interminável dos pagamentos?
http://futeboldeartista.blogspot.com/2010/02/lei-pele-e-lei-pe-na-bunda.html
É bolada, deverdor!!!
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Senhor do Bonfim do Baêa
Sentada no jantar do hotel, eis que surge aquele mar vermelho de meninos comportados. Pergunto empolgada se são o time do Bahia e - obviamente - confirmam. Ligo empolgada para filhos e marido e, feito fã abestalhada, conto quem está no mesmo hotel que eu.
A oportunidade de ouro de fazer entrevistas se esvai na tensão de fã. Não quero incomodar os jogadores que lutarão por mais uma vitória no campeonato baiano aqui mesmo, em Sr. do Bonfim. Também não quero parecer uma Maria-Chuteiras passada e ficar abordando os jogadores. Sigo com meu trabalho didático, mas feliz sempre que encontro um 'moleque' do Bahia pelo hotel.
Peço autógrafo para eles em nome de João Vicente, grande admirador do time. São todos muito solícitos e simpáticos. Divulgo o blog - que eu num tô morta - e pego contato do responsável pelo time para uma aproximação mais oficial lá em Salvador.
É incrível o sentimento de respeito e carinho que a presença do time para o qual a gente torce impõe. É como se sua presença materializasse a existência do clube. Eu ficava pensando: são eles que jogam, que entram em campo, que a gente aplaude, grita, xinga, torce. São eles que fazem e tomam gol. É muito curioso estar tão perto de uma idéia, de um sentimento de torcedor.
Espero poder escrever mais sobre este encontro breve. Não posso deixar de negar a estranheza de ser uma mulher neste universo, de fazer doutorado e 'pesquisá-los' como se fossem algo fora do comum. De tudo por tudo eu era um ser estranho neste encontro. Mas, vivi a presentificação do time e com certeza isso vai ganhar lugar na tese.
A propósito - caso algum jogador tenha tido a curiosidade de ler o blog - espero que o jogo de hoje seja nosso e espero que o Bahia tenha um ótimo desempenho em toda a temporada. Espero que como profissionais vocês tenham muito sucesso e que como clube o Bahia continue na primeira divisão, seja campeão baiano porque é isso que nosso grande time merece.
É bolada, jogador!!!
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
TORÇO - Do toré do goleiro aos artistas na arquibancada
Com arquitetura clássica de teatro grego, o espaço que recebe a imensa horda de felizes torcedores – sim, foi com este nome que ouvi alguém se referir a estes seres estranhos – tem suas singularidades. Cravado na urbanidade da cidade, exibe seus elementos rurais. Ora, se lá fora são quilômetros e quilômetros de asfalto aqui dentro, no centro de círculo ovalado, apresenta-se um imponente quadrado verde, exageradamente verde que brilha sob a luz do sol. É grama. É planta. É chão.
Acima, convocando a poesia de nossa bandeira, brilha um sol amarelo, pregado num azul infinito que escorre para o horizonte. Não há teto no templo que aos poucos começa a encher. Se chove, chove sobre nossas cabeças. Se anoitece, banha-nos a luz da lua. Os caminhos de acesso são como grandes serpentes tatuadas de gente. Uma serpente que se move malemolentemente. O ritmo de feira intensifica-se pelo comércio de bebidas, comidas e camisas como as que a maioria usa. Sentam-se nas arquibancadas, os seres estranhos. Ao quadrado verde, não têm acesso os animados torcedores. Mas, não parece que se incomodam. Alguns não concordam em ficar onde está a maioria, sentada. Trepam numa espécie de rede, muito alta, ereta e convicta que descobri mais adiante atender pelo nome de alambrado. Ali, mais tarde, alguns mais afoitos se pendurarão e gritarão, a um pobre coitado dentro do quadrado, nomes impublicáveis.
De repente, ouço gritos e aplausos, muitos aplausos. Uma legião de crianças uniformizadas entra segurando as mãos de adultos vestidos como elas. Soltam-se muitos balões coloridos. Num lado privilegiado da arquibancada, tocam tambores, lançam papel picado ao ar. Meu Deus! Uma grande bandeira surge onde antes era apenas gente. Engole todas aquelas pessoas que não sei para onde foram até que a bandeira se esvai novamente trazendo de volta os torcedores temporariamente desaparecidos.
Um homem simpático com cores diferentes do grupo que entrou agora e do grupo que havia entrado mais cedo, sem festa, coitados, ainda sob o som de vaias desconcertantes, conversa com outros dois que se posicionam com paninhos ajustados a uma grande vareta na mão. Ao centro do campo (campo, este espaço rural) conversa com um homem de cada camisa e lança a bola ao ar. Esta, elevada ao céu pela autoridade local, alinha-se ao sol entrando em contato com a força criadora. Do céu, ela volta pronta, sagrada. Ela é a vida do jogo e todo sentido agora está nos sentidos diversos que ela tomar. Sentido semiótico. Sentido direcional. Toda existência diz respeito a ela. Seu reino é o campo. Fora do campo, fora do jogo.
Um objetivo apenas. Introduzir o objeto sagrado no altar do opositor, do inimigo, do adversário. Para tanto, onze homens dividem-se na tarefa de avançar sobre o território alheio e defender o próprio. Um desses onze homens defende o altar. Um quadro. Um retângulo constituído de duas traves, um travessão e o chão. Em sua tridimensionalidade, avança para trás através de um grande véu de noiva que quando balança leva à loucura aqueles seres estranhos. Gritam GOL, os esganados. Abraçam-se homem com homem. Levantam insistentemente os braços. Pulam sem dar-se conta de que não são mais meninos. E como brilham seus olhos. Será que aquele ali está chorando?
E assim vai seguindo este longo encontro de mais de duas horas, onde se experimenta de tudo. Sair é entrar no corpo coletivo. Nada é pessoal. Tempo, ritmo, espaço. Tudo é um só. Tudo é coletivo. Não tem como fugir desta coletividade que se impõe. Segue a semana e a televisão, o rádio, a internet, os jornais, a revista, todos exibem fotos e comentam fatos daquele encontro. Todos unidos novamente, ainda que fisicamente distantes. Nova semana. Novo encontro. Sempre o mesmo ritual. Sempre uma nova experiência.
E que coisa curiosa, ao mesmo tempo tão simples e tão complexa pode ser esta que convoca multidões? Coisas de um tempo recente, esvaziado de sentido? Acho que não. Observe o que nos diz José Miguel Wisnik em Veneno Remédio, O Futebol e o Brasil.
O objetivo desta forma de ‘caçada recíproca’, muito mais crua que a do futebol, travada entre populações de aldeias vizinhas, consistiria em conduzir a bola para dentro do território do outro, até seu campanário, suponhamos (tratando, portanto de uma espécie de gol), ou de subtrair a bola do domínio do outro grupo e trazê-la vitoriosamente até seu próprio território, entronizando-a em sua própria igreja (ou em algum outro ponto marcado do próprio território) (WISNIK, 2008, p. 78)
Coisa de muito tempo. Coisa de antes da modernidade.
E segue:
Práticas tradicionais e assumidamente violentas são convertidas agora na representação de um ato a ser desfrutado pela sua capacidade de atingir clímax e relaxamento, de estender artificialmente a tensão da disputa até atingir seu desenlace catártico, e de se oferecer, assim, a uma espécie de contemplação estetizada. (Grifos meus.)(IDEM, 2008, p. 86)
É esta estetização da luta, da guerra, do ritual que me seduz. Aí reside meu princípio. Para tanto, não canso de convocar artistas que em suas obras ou em sua vida tratam do tema de modo simples, vivendo-o ou refletindo sobre ele. Das canções de Chico Buarque aos ensaios de Pier Paolo Pasolini, das crônicas e dramas de Nelson Rodrigues à minuciosa pesquisa do compositor e poeta José Miguel Wisnik, onde quer que eu busque vou encontrar referências que relacionam o futebol à experiência artística. Sobre a leitura feita por Pasolini a respeito do futebol, Wisnik explica:
O futebol era para ele (Pasolini) o terreno em que se dava o grande teatro e o rito da presença, expondo ao vivo, em corpo e espírito um largo espectro da escala humana. (...) Por isso mesmo, afirmava que jogar futebol era um dos seus maiores prazeres, junto da literatura, do eros e do cinema, além de ser, como para Alberto Camus ou Eugenio Evtuchenko, um campo de aprendizado total, uma espécie de formação. (WISNIK, 2008, p. 15)
E para encerrar a participação, talvez excessiva de Wisnik, um pequeno trecho de suas próprias considerações sobre futebol e arte:
(...) Seria preciso entender que nele (no futebol) como nas artes e na música, o conteúdo está ali sem como se não estivesse: na ausência de significado, mas fazendo sentido e pondo em cena conteúdos conflitivos e catárticos que o transformam nesse vespeiro universal de congraçamento e violência. É pelo fato de lidar de maneira não verbal com o núcleo de violência que constitui as sociedades, a um tempo elaborando-o e expondo-o ao risco de trazê-lo à tona, que o futebol pôde se tornar o vínculo intrigante que atravessa todo tipo de fronteiras. (IDEM, 2008, P. 45)
Mas, se estes artistas, pensadores e questionadores da vida já perguntaram tanto e trouxeram algumas respostas, o que posso ainda querer buscar? Busco justamente experimentar olhar para o teatro como um lugar onde alguns princípios do futebol em algum tempo já estiveram presentes. Desconfio que nos concursos gregos de tragédia o espírito aproximava-se do que acontece hoje nos campeonatos de futebol e a existência dessa similaridade me intriga tanto quanto o desejo de compreender em que momento o teatro perdeu esta dimensão coletiva e popular.
Um importante aliado na tentativa de compreender em que momento se dá essa cisão entre arte e jogo, entre arte e povo, é o filósofo Johan Huizinga, na obra Homo Ludens – o jogo como elemento da cultura. Primeiro, ele organiza as aproximações entre o jogo, a arte e a vida. Uma dessas aproximações que ele propõe é sobre a ordem que se estabelece dentro do jogo, dentro da obra de arte. Uma ordem própria, paralela à ordem da vida, mas nem por isso mais frágil que ela. Também reflete sobre alguns dos elementos do jogo próprios da experiência estética.
(O jogo) Introduz na confusão da vida e na imperfeição do mundo uma perfeição temporária e limitada, exige uma ordem suprema e absoluta. [...] É talvez devido a essa afinidade profunda entre a ordem e o jogo que este, como assinalamos de passagem, parece estar em tão larga medida ligado ao domínio da estética. Há nele uma tendência para ser belo. Talvez este fator estético seja idêntico aquele impulso de criar formas ordenadas que penetrem o jogo em todos os seus aspectos. As palavras que empregamos para designar seus elementos pertencem quase todos à estética. São as mesmas palavras com as quais procuramos descrever os efeitos da beleza: tensão, equilíbrio, compreensão, contraste, variação, solução, união a e desunião. O jogo lança sobre nós um feitiço: é ‘fascinante’, ‘cativante’. Está cheio das duas qualidades mais nobres que somos capazes de ver nas coisas: ritmo e harmonia. (HUIZUNGA, 2007, p.13)
Mais adiante, o próprio Huizinga reflete sobre como o elemento lúdico foi sendo deslocado dentro da produção artística, resistindo ainda, porém em lugar menos relevante. Para o autor, a individualização do processo artístico, transferindo o foco da experiência estética do fruidor para o produtor parece ser um dos grandes responsáveis pelo afastamento da arte do grande público.
[...] Através de um processo gradual que durou vários séculos, a arte foi perdendo sua função vital na sociedade, tornando-se cada vez mais uma ocupação autônoma própria de certos indivíduos chamados artistas. Um dos marcos desta emancipação foi a vitória do quadro emoldurado sobre o painel e o mural, e da gravura sobre a miniatura e a iluminura. No Renascimento, deu-se a idêntica passagem do social ao individual quando a função principal do arquiteto passou da construção de igrejas e palácios para a de residências particulares, das galerias magnificentes para os escritórios e dormitórios. A arte se tornou mais íntima e ao mesmo tempo mais isolada, dependendo de um só indivíduo e de seu gosto pessoal. E foi de maneira semelhante que a canção e a música de câmara, destinadas à satisfação de aspirações estéticas, pessoais, começou a dominar as formas artísticas de caráter mais público, tanto em importância quanto, muitas vezes, em intensidade de expressão. (HUIZINGA, 2007, p. 223)
Estas e tantas outras considerações sobre as semelhanças entre jogo e arte, entre futebol e teatro vão constituindo em mim uma compreensão cada vez mais estruturada, mas, que nem por isso me silencia, sobre os mistérios que cercam o futebol enquanto evento que se dá à fruição, à apreciação e ao jogo, como um importante modo de convivência. Experiências como a do jogo e da arte dizem respeito, em última instância – ou em primeira talvez – ao fato de sermos um bicho coletivo. É intrigante essa possibilidade de não apenas nos encontrarmos com o outro, mas, mais do que isso, nos encontrarmos no outro.
De volta ao nosso templo de grama e gente, do lado de cá ou de cá do alambrado, somos todos jogadores. O que encanta ainda no futebol é a radicalização da presença ativa do espectador. O torcedor não é apenas um observador da cena, e mesmo em sendo jamais sua atuação como observador será passiva. Mesmo o torcedor calado sentado, quieto será parte de um todo que age, constrói e que cria o instante do futebol. Soprado o apito, dissipada a multidão, apagados os holofotes, resta o sentimento de pertencimento e identidade impresso na pele por uma experiência coletiva de retorno aos princípios mais fundamentais da existência.
“Hora de ir embora quando o corpo quer ficar. Toda alma de artista quer partir. Arte de deixar algum lugar quando não se tem pra onde ir.” Chico Buarque.
Em noite de jogo, a certeza – pela alegria da vitória ou pelo amargo da derrota – de que somos mais do que aquilo que desconfiamos no cotidiano embotado que nos engole. Depois da contundência de uma partida de futebol, jamais nos sentiremos sozinhos, mesmo quando enraizados na solidão de nossas mazelas pessoais, quando partimos, solitários, para o terceiro tempo (ou terceiro ato) de nosso jogo diário.
A propósito, aquele ser estranho, lá do começo do texto, eu o reconheci. Aquele ser estranho sou eu.
“_ Vasssssssssssssco! (Tuninho cai de joelhos. Mergulha o rosto nas duas mãos. Soluça como o mais solitário dos homens) Fim do terceiro e último ato.” (RODRIGUES, 1993, p. 779).
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
A ESCOLA E O FUTEBOL
Enfim, sento-me à cadeira deste meu querido computador, para novamente escrever uma postagem decente para meu querido blog futebol de artista. Nesse período de férias, li algumas coisas sobre futebol. A novela do chato do Ronaldinho Gaúcho, um livro da Bravo sobre o tema, (é mole?) algumas coisas na Placar e quase nada da bibliografia que tenho que ler para o doutorado.
Ontem recebi uma grande e antiga amiga para almoçarmos. Ela é professora e o papo, obviamente, além de coisas de mulher, foi centrado na educação. Uma porque somos professoras, como já disse, outra porque fazemos pós, e sobretudo porque estudamos juntas nos idos de 1990 no Colégio Técnico da Fundação José Carvalho, sobre o qual eu tenho um post pronto, mas que vou divulgar mais tarde.
Entre tantas considerações, chegamos a um ponto que sempre é polêmico, porque estudo isso e quando falo sobre, acabo usando aquele tom meio parcial de quem defende seu objeto sem a menor noção de limite. Pois é assim, sem esse bom senso que vou escrever agora parte do que penso sobre futebol e estudo.
Tem um email que muita gente reencaminhou para mim, logo no fim da copa que foi uma fala de Cristóvam Buarque sobre a posição do Brasil no ranking do futebol e como os brasileiros ficaram chateados e sobre o descaso com a colocação do Brasil em termos de educação, que era aterrorizantemente pior do que no futebol. Ora, eu acho essa comparação coisa de quem tem muito o que fazer, mas não faz. Acho que estamos comparando coisas extremamente diferentes e acho usar do sucesso do futebol para discutir o fracasso da educação, pelo menos sobre estes termos uma perda total de tempo. Discuto a relação entre futebol e escola se o ponto de partida não for tão preenchido de mágoa, preconceito e julgamentos repletos de uma caretice sem precedentes e de falta de boa vontade para a discussão.
Geralmente se diz que jogador de futebol não estuda. ora, como se explica, então, que um ser humano consiga correr, condizindo uma bola, ao mesmo tempo em que mira num alvo, que geralmente é um alvo em movimento - seu parceiro - quando além de comandar o tempo e força da corrida deve guiar a bola e arremessá-la a uma distância onde ele pressupõe que estará o tal do alvo móvel. Algum dos distintos leitores já se deu o trabalho de tentar jogar futebol?
É muita habilidade junta a ser desenvolvidae isso se consegue com o que? Anteção!!! Com estudo. Muito estudo. Claro que o termo que se usa na prática é treino, mas para mim, o que está em questão é o estudo prático de como realizar estas jogadas.
E o que mais me intriga nesse conhecimento prático de quem joga futebol é que é um conhecimento corporal. É um aprendizado do corpo. Nenhum jogador calcula em teoria com qual velocidade ele deve lançar a bola, ou ainda em que ângulo, ou mesmo qual a força a ser emitida por sua perna num chute ou numa defesa. O conhecimento, repito, é prático e corporal.
Quando falamos que os jogadores de futebol não estudam, estamos esquecendo de completar a frase, Talvez de fato a maioria deles não estuda aquilo que nós estababelecemos como indispensável a ser estudado por todos. Nós reduzimos o mundo a um só modelo de tudo, e com a educação não foi diferente. Assim, estudar significa estudar na escola, aqueles assuntos que foram definidos como os mais importantes.
A essa altura da conversa minha amiga perguntou se de fato os jogadores de futebol não estudam o estudo que nós consideramos padrão. Eu disse a ela que não dá para ser jogador profissional de futebol e fazer uma faculdade. Para mim, simplesmente, não dá. O jogador de futebol se dedica a seu ofício como os soldados espartanos se dedicavam à guerra. Da infância à fase adulta.
A vida deles é voltada para seu rendimento em campo. Sua alimentação, seus hábitos, sua família, tudo fica condicionado a isso. É claro que eu entendo que a força do mercado usa estes profissionais como bucha de canhã e lucram muito mais do que os incalculáveis salários que os jogadores ganham. Mas acho que apenas isso não infertiliza a discussão.
Acho que é preciso olhar para a prática do futebol - e o mal que o mercado lhe tem feito, como tem feito a tudo que toca - com um pouco mais de generosidade e mais que isso, boa vontade de compreender coisas que ele está aí para nos ensinar.
O futebol é interdisciplinar por natureza:
Integral, posto que o aprendizado se dá majoritariamente no corpo
Funcional do ponto de vista social, posto que todo o aprendizado estabelece-se numa perspectiva de unir aquilo que faço sozinho e aquilo que faço no coletivo e o que para mim é enfim o mais importante:
É um aprendizado significativo porque envolve, entre todas as demais coisas, o prazer, a alegria e o jogo.
E se acham que exagero ou que estou louca, repito, não estou sozinha. Ouça o que nos diz José Miguel Wisnik sobre a seleção do brasil de 1970:
"Futebol é uma linguagem sem palavras que está dizendo coisas que não são conscientes. Quando aqueles jogadores pegam a bola o tempo todo em campo, é uma longa história do povo brasileiro que está desembocando ali. Um país escravista e mestiço em que a escravidão foi abolida, mas os descendentes de escravos foram abandonas à sua própria sorte. Até hoje as injustiças, a desigualdade brasileira, a ausência de descendentes de escravos nas instituições, nas escolas... Essa desigualdade que é social, que é racial ela é uma história do país que se deu e que é uma história de injustiça.
No entanto é no campo de futebol que esses descendentes de escravos reverteram simbolicamente esta situação. Na música popular e no futebol que são as maiores conquistas do país e que se fizeram através de duas escolas informais. Não foi nenhuma escola que ensinou pra ninguém a música popular nem ensinou o futebol. O povo brasileiro criou isso e deu a isso uma dimensão mundial. Por isso que eu não admito que uma pessoa que se crê crítica vem chegar e dizer que aquilo é uma porcaria, e que é a ditadura. Não é a ditadura. Aquilo é a maior criação da história do povo brasileiro, revertendo a sua história de injustiça e criando simbolicamente – é verdade que aí nós vamos dizer ‘claro, é simbolicamente o país continua injusto, continua desigual’ – isso não quer dizer que seja uma democracia racial nem nada, portanto, cabe lutar para que seja, para que se tenha uma educação tão criativa nas escolas quanto o futebol e a música popular foram sem ter escola nenhuma. É a escola que tem que tomar aquilo como exemplo, aprender que aquilo ali é um exemplo de país." (Entrevista concedida ao Café Cultural em 2009.)
É bolada, Educador!!!!
Ontem recebi uma grande e antiga amiga para almoçarmos. Ela é professora e o papo, obviamente, além de coisas de mulher, foi centrado na educação. Uma porque somos professoras, como já disse, outra porque fazemos pós, e sobretudo porque estudamos juntas nos idos de 1990 no Colégio Técnico da Fundação José Carvalho, sobre o qual eu tenho um post pronto, mas que vou divulgar mais tarde.
Entre tantas considerações, chegamos a um ponto que sempre é polêmico, porque estudo isso e quando falo sobre, acabo usando aquele tom meio parcial de quem defende seu objeto sem a menor noção de limite. Pois é assim, sem esse bom senso que vou escrever agora parte do que penso sobre futebol e estudo.
Tem um email que muita gente reencaminhou para mim, logo no fim da copa que foi uma fala de Cristóvam Buarque sobre a posição do Brasil no ranking do futebol e como os brasileiros ficaram chateados e sobre o descaso com a colocação do Brasil em termos de educação, que era aterrorizantemente pior do que no futebol. Ora, eu acho essa comparação coisa de quem tem muito o que fazer, mas não faz. Acho que estamos comparando coisas extremamente diferentes e acho usar do sucesso do futebol para discutir o fracasso da educação, pelo menos sobre estes termos uma perda total de tempo. Discuto a relação entre futebol e escola se o ponto de partida não for tão preenchido de mágoa, preconceito e julgamentos repletos de uma caretice sem precedentes e de falta de boa vontade para a discussão.
Geralmente se diz que jogador de futebol não estuda. ora, como se explica, então, que um ser humano consiga correr, condizindo uma bola, ao mesmo tempo em que mira num alvo, que geralmente é um alvo em movimento - seu parceiro - quando além de comandar o tempo e força da corrida deve guiar a bola e arremessá-la a uma distância onde ele pressupõe que estará o tal do alvo móvel. Algum dos distintos leitores já se deu o trabalho de tentar jogar futebol?
É muita habilidade junta a ser desenvolvidae isso se consegue com o que? Anteção!!! Com estudo. Muito estudo. Claro que o termo que se usa na prática é treino, mas para mim, o que está em questão é o estudo prático de como realizar estas jogadas.
E o que mais me intriga nesse conhecimento prático de quem joga futebol é que é um conhecimento corporal. É um aprendizado do corpo. Nenhum jogador calcula em teoria com qual velocidade ele deve lançar a bola, ou ainda em que ângulo, ou mesmo qual a força a ser emitida por sua perna num chute ou numa defesa. O conhecimento, repito, é prático e corporal.
Quando falamos que os jogadores de futebol não estudam, estamos esquecendo de completar a frase, Talvez de fato a maioria deles não estuda aquilo que nós estababelecemos como indispensável a ser estudado por todos. Nós reduzimos o mundo a um só modelo de tudo, e com a educação não foi diferente. Assim, estudar significa estudar na escola, aqueles assuntos que foram definidos como os mais importantes.
A essa altura da conversa minha amiga perguntou se de fato os jogadores de futebol não estudam o estudo que nós consideramos padrão. Eu disse a ela que não dá para ser jogador profissional de futebol e fazer uma faculdade. Para mim, simplesmente, não dá. O jogador de futebol se dedica a seu ofício como os soldados espartanos se dedicavam à guerra. Da infância à fase adulta.
A vida deles é voltada para seu rendimento em campo. Sua alimentação, seus hábitos, sua família, tudo fica condicionado a isso. É claro que eu entendo que a força do mercado usa estes profissionais como bucha de canhã e lucram muito mais do que os incalculáveis salários que os jogadores ganham. Mas acho que apenas isso não infertiliza a discussão.
Acho que é preciso olhar para a prática do futebol - e o mal que o mercado lhe tem feito, como tem feito a tudo que toca - com um pouco mais de generosidade e mais que isso, boa vontade de compreender coisas que ele está aí para nos ensinar.
O futebol é interdisciplinar por natureza:
Integral, posto que o aprendizado se dá majoritariamente no corpo
Funcional do ponto de vista social, posto que todo o aprendizado estabelece-se numa perspectiva de unir aquilo que faço sozinho e aquilo que faço no coletivo e o que para mim é enfim o mais importante:
É um aprendizado significativo porque envolve, entre todas as demais coisas, o prazer, a alegria e o jogo.
E se acham que exagero ou que estou louca, repito, não estou sozinha. Ouça o que nos diz José Miguel Wisnik sobre a seleção do brasil de 1970:
"Futebol é uma linguagem sem palavras que está dizendo coisas que não são conscientes. Quando aqueles jogadores pegam a bola o tempo todo em campo, é uma longa história do povo brasileiro que está desembocando ali. Um país escravista e mestiço em que a escravidão foi abolida, mas os descendentes de escravos foram abandonas à sua própria sorte. Até hoje as injustiças, a desigualdade brasileira, a ausência de descendentes de escravos nas instituições, nas escolas... Essa desigualdade que é social, que é racial ela é uma história do país que se deu e que é uma história de injustiça.
No entanto é no campo de futebol que esses descendentes de escravos reverteram simbolicamente esta situação. Na música popular e no futebol que são as maiores conquistas do país e que se fizeram através de duas escolas informais. Não foi nenhuma escola que ensinou pra ninguém a música popular nem ensinou o futebol. O povo brasileiro criou isso e deu a isso uma dimensão mundial. Por isso que eu não admito que uma pessoa que se crê crítica vem chegar e dizer que aquilo é uma porcaria, e que é a ditadura. Não é a ditadura. Aquilo é a maior criação da história do povo brasileiro, revertendo a sua história de injustiça e criando simbolicamente – é verdade que aí nós vamos dizer ‘claro, é simbolicamente o país continua injusto, continua desigual’ – isso não quer dizer que seja uma democracia racial nem nada, portanto, cabe lutar para que seja, para que se tenha uma educação tão criativa nas escolas quanto o futebol e a música popular foram sem ter escola nenhuma. É a escola que tem que tomar aquilo como exemplo, aprender que aquilo ali é um exemplo de país." (Entrevista concedida ao Café Cultural em 2009.)
É bolada, Educador!!!!
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
FIM DE ANO, FIM DE FEIRA
É gente, por mais que eu tenha prometido voltar logo, com textos melhores, mais cuidados eu acabei por abandonar o meu blog querido por muito mais tempo do que esperava.
Até a semana passada o motivo era a correria, pintando e arrumando a casa, encerrando semestre de doutorado, de aulas, viajando, enfim, aquela correria.
Agora o omotivo é o oposto. Maresia total. A canseira bateu, fiquei meio lerda e passo dias sem acessar a net. Minha família está aqui e a vida real é bem mais interessante do que a tela.
Porém, mais uma vez eu mecomprometo que no comecinho do ano que vem eu volto, com novos temas, novos textos, novas questões futebolísticas, artísticas e de vida, que eu adoro falar dela, pra gente conversar.
Foram tantas coisas neste ano bom de 2010. O blog, por exemplo, é de 2010 e foi uma grande realização para mim. E a primeira divisão? Afi... E Dilma? E todos os amigos maravilhosos que fiz e que reencontrei.
Bom, isso não é um post de retrospectiva, por isso vou ali que 2011 tá na janela.
Um grande abraço a todos, boa virada de ano. Muita alfazema, sal grosso, praia e incenso porque se não fizer bem, mal num faz.
Paz e saúde pra nós. O resto, é trabalhar.
É bolada, 2011!!!
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
TORCIDA CAMPEÃ
Gente, estou em viagem por esta Bahia linda, levando um pouquinho daquilo que eu sei e aprendendo muito do tanto que eu ainda nem disconfio. São encontros lindos e momentos mágicos, onde esse nosso chão nordestino me acalenta e me conforta.
Mas, dei uma paradinha para dizer da alegria em ver a beleza e força da torcida do Tricolo de Aço ser reconhecida nacionalmente. O prêmio de torcida de ouro do Brasileirão é um reconhecimento de tanto amor e dedicação de pessoas tão comuns que escolheram um time para se orgulhar e para chorar por ele às vezes, de tristeza ou de alegria. Aproveito para saudar os irmão tricolores cariocas pelo título nacional e para pedir desculpas ao Vitória por não estar mais na série B para lhe dar as boas-vindas. Coisas de futebol.
Bom, é isso.
Grande abraço aos leitores. Nas férias juro que darei textos mais preparados.
É bolada, viajador!
Mas, dei uma paradinha para dizer da alegria em ver a beleza e força da torcida do Tricolo de Aço ser reconhecida nacionalmente. O prêmio de torcida de ouro do Brasileirão é um reconhecimento de tanto amor e dedicação de pessoas tão comuns que escolheram um time para se orgulhar e para chorar por ele às vezes, de tristeza ou de alegria. Aproveito para saudar os irmão tricolores cariocas pelo título nacional e para pedir desculpas ao Vitória por não estar mais na série B para lhe dar as boas-vindas. Coisas de futebol.
Bom, é isso.
Grande abraço aos leitores. Nas férias juro que darei textos mais preparados.
É bolada, viajador!
sábado, 4 de dezembro de 2010
PARABÉNS, CAMPEÃO DO NORDESTE
Fim de ano é uma loucura para professor e estudante. Como eu sou as duas coisas (e mais outras) o tempo está uma doidera.
Por isso, o atraso nos parabéns ao arqui-rival VITÓRIA, que desrespeitando a tradição, não se sagrou vice no Nordestão. Uma bela Vitória, fazendo, enfim, jus ao nome.
Parabéns, rubro-megros!
Por isso, o atraso nos parabéns ao arqui-rival VITÓRIA, que desrespeitando a tradição, não se sagrou vice no Nordestão. Uma bela Vitória, fazendo, enfim, jus ao nome.
Parabéns, rubro-megros!
TORÇO - PROCESSO CRIATIVO EM ANDAMENTO
Apresentação na disciplina de doutorado Processos de Criação, com a Profª Sônia Rangel. Fotos Hannah Abnner.
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