Seria indelicadeza e imaturidade minhas deixar de comentar a virada histórica do Vitória ontem pra cima do ABC.
Não vou falar sobre o jogo, porque eu nem assisti. Acompanhava desinteressadamente no facebook a tristeza pálida dos torcedores que comentavam uma coisa aqui outra ali.
Mas, eis que de repente, comecei a ler comentários sobre a virada. Primeiro, não vou negar, me chateei, pois como tricolor sempre torço para que o Vitória não vença. É coisa de torcedor, gente. Não me venham por favor com teorias territorialistas de que tenho que torcer pra time baiano. Já falei mil vezes sobre esse assunto. Torcedor torce por si e contra o arqui-rival. É um fato!!! Se quiser ler sobre o tema clique aqui. Outro posto sobre o tema, clique aqui.
Vi que dois gols tinham sido de pênalti, a marca do Vitória e seu artilheiro e fiquei ainda menos interessada do assunto. Vitória ganhar com pênalti nos acréscimos não é novidade.
Hoje, porém, vendo as imagens do jogo me dei conta de que estava diante de um importante momento da minha pesquisa. Um jogo decisivo que a 15 minutos do seu fim tem uma reviravolta impressionante comandada pelo mesmo jogador, Neto Baiano, com três gols quando a torcida já havia abandonado o estádio, realmente merecerá ser lembrado para sempre.
A imagem mostrada no Globo Esporte, dos torcedores todos com a camisa 10, saindo derrotados do estádio e os jogadores acreditando ainda, sobretudo a partir do primeiro gol. A garra de Neto Baiano correndo com a bola para o jogo andar, foi realmente impressionante.
É engraçada a dramaturgia, ou melhor, as dramaturgias possíveis ali.
O que era uma derrota certa para o torcedor, era uma classificação concreta para o adversário, o ABC.
E para os jogadores, mais especificamente para Neto Baiano? O que era?
E para o juiz? Ter que decidir (e bancar) por marcar dois pênaltis numa situação desta?
Mesmo que se questione os pênaltis, que eu não acho que seja o caso, há que se admitir que o Vitória teve garra para estar durante os 15 últimos minutos no ataque, se não não teria sofrido os pênaltis. Sei que o torcedor pergunta: por que não fez nos 90 o que fez em 15? Haja coração!!!!
Fico imaginando o que se passa na cabeça de todos esses agentes durante o jogo. Fico imaginando o que se passou dentro daquele campo nestes 15 minutos. Na cabeça do artilheiro.
E ainda falando de dramaturgia da leitura, que eu defendo na minha dissertação do mestrado, o que é uma festa de superação para o rubro-negro, é uma tragédia a ser esquecida, pelo ABC e sua torcida.
A vitória tornou-se possível quando Neto Baiano decidiu que seria possível.
Isso realmente foi lindo de ver (Mesmo que em reportagens, como no meu caso.)
Agora, aquela dica de tricolor para o torcedor rubor-negro: nunca mais abandone o seu time. Mesmo que ele não tivesse feito o milagre de virar aquele jogo, era justamente quando ele mais precisaria de você. Geralmente a torcida dá lições ao clube. Ontem foi o contrário. Que se aprenda!
Como se diz em bom soteropolitanês: Neto retou!!!
Ficam aqui meus sinceros parabéns ao Vitória, de quem eu pego tanto no pé, como tricolor que sou, mas que reconheço o mérito da vitória histórica de ontem. Com certeza este evento fará parte de minhas análises, pois foi um grande jogo.
Só não me peça para torcer pelo Vitória na Copa do Brasil, até porque o Tricolor tá no páreo!
É bolada, Rubro-Negro!
Depois da pesquisa de mestrado realizada no PPGAC - UFBA, intitulada TEATRO X FUTEBOL: Por uma dramaturgia do espetáculo futebolístico, dou continuidade à pesquisa em nível de doutorado: A EXPERIÊNCIA TRÁGICA DO TORCEDOR: o Futebol como espetáculo absoluto do Século XX. Neste blog pensamentos, perguntas, problematizações, cotidianices, política, arte, poesia. TEATRO E FUTEBOL juntos, porque entre o campo e o palco, entre o jogo e peça existem mais parentescos do que supõe a nossa vã filosofia.
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quinta-feira, 19 de abril de 2012
domingo, 18 de dezembro de 2011
Ooooolé: O massacre do Barcelona sobre o Santos como oportunidade educativa
Deu-se a tragédia!
A vergonhosa derrota do futebol brasileiro hoje, representado pelo Clube Santista, trouxe à luz dos nossos olhos a cruel e desoladora verdade sobre o nosso futebol: Perdemos!
Perdemos todos!
Perderam a magia, a beleza e a arte de nosso belo jogo.
Perderam os artistas da bola, as crianças que crescem com a redonda no pé, que aprendem nas várzeas e campinhos, com bolas de meia e sem chuteiras.
Perdeu a subjetividade de nossa mais bela configuração cultural.
Ganharam os cartolas. Ganharam as incontáveis marcas que poluem as camisas de nossos times. Ganharam os empresários da bola, que esticam os braços de nossos jogadores, puxando e empurrando todos e cada um deles pra lá e pra cá como borrachas de amarrar dinheiro.
Ganharam os presidentes de clubes filhos-da-puta, que destruiram nossas bases, que liquidaram com o sentimento de pertencimento a um clube, que fizeram do ato de jogar futebol uma atividade esvaziada de sentido e repleta de cifras.
Trocamos acordes por cifras.
Mas, ao fim e ao cabo, sinto dizer caros empresário, perdemo todos.
A humilhante derrota do Santos, o baile dos espanhóis deixam evidente que perdemos o posto que por tanto tempo foi nosso. Não o posto de campeões inquestionáveis, mas o posto de jogar e fazer bonito. O posto de sermos respeitados e admirados. O posto de sermos, mesmo que não ganhemos, as autoridades no assunto.
Perdemos e perdemos feio demais.
Que tristeza ver um Santos humilhado, arrasado, amedrontado, pequeno diante da fera Barcelona. Ver o Barcelona jogar o futebol que outrora era o a marca do futebol brasileiro: beleza, eficiência e graça.
Eu fiquei constrangida diante da TV.
Os intelectuais (sobretudo da área de educação) que sempre acharam um absurdo o Brasil se orgulhar de seu futebol (leia o post anterior) devem estar felizes, porque naquilo que nos orgulhávamos e que nos representava como potência mundial, nisso, também falhamos.
E acredito que não há tristeza maior para o povo brasileiro do que perder sua identidade no futebol.
Fica a oportunidade educativa para técnicos, para dirigentes, para a imprensa esportiva do Brasil, sobretudo para a insuportável Revista Placar, que num ano tem mais de 6 capas com Neymar.
E fica para esse bom menino uma das maiores aulas de sua vida: Tem que comer muito feijão com arroz ainda para ser um Messi. Não porque o Messi em si é imabtível, mas porque tem sua trajetória, tem seu percurso, tem seus aprendizados com triunfos e derrotas. Sem isso, caro Neymar - que eu admiro e torço pelo sucesso - não há craque, não há ídolo, não há história.
Você é um menino, e isso não pode ser considerado um defeito, pelo contrário. Mas, não acredite em nada que a Globo, a editora Abril e toda essa corja lhe dizem. Acredite no que você faz, no que você vive e vê. Acredite nas pessoas de verdade e nos fatos em si. Porque a Globo e Cia. vão ser as primeiras a te dar um belo de um pé na bunda, quando você não lhes servir aos interesses de mercado.
Que a imprensa brasileira aprenda de vez que a notícia não é o fato. Que gritar durante todo o mês que Santos e Barcelona, que Neymar e Messi são do mesmo tamanho e força, não faz com que eles de fato sejam. Nós não acreditamos em vocês. Nós acreditamos nos fatos.
Eu espero que essa vergonha de hoje sinalize que a vitória da cifra sobre a chuteira representa uma derrota para todos. Esvaziar o futebol brasileiro de sua beleza, graça e talento é acabar com seu princípio, é acabar com o futebol em si.
O querido Sócrates, em entrevista a Maria Gabriela e também no Altas Horas, pouco antes de sua partida disse muito acertadamente que o Brasil precisa jogar futebol brasileiro. Enquanto tentarmos jogar futebol europeu, sairemos derrotados. (Veja post anteior a este, sobre Sócrates).
O que o futebol brasileiro tem de melhor é ser o futebol brasileiro.
Que ainda haja tempo para reconquistarmos essa qualidade
Se não, não haverá 'Santos' que nos salvem!
É bolada, brasileiro!
A vergonhosa derrota do futebol brasileiro hoje, representado pelo Clube Santista, trouxe à luz dos nossos olhos a cruel e desoladora verdade sobre o nosso futebol: Perdemos!
Perdemos todos!
Perderam a magia, a beleza e a arte de nosso belo jogo.
Perderam os artistas da bola, as crianças que crescem com a redonda no pé, que aprendem nas várzeas e campinhos, com bolas de meia e sem chuteiras.
Perdeu a subjetividade de nossa mais bela configuração cultural.
Ganharam os cartolas. Ganharam as incontáveis marcas que poluem as camisas de nossos times. Ganharam os empresários da bola, que esticam os braços de nossos jogadores, puxando e empurrando todos e cada um deles pra lá e pra cá como borrachas de amarrar dinheiro.
Ganharam os presidentes de clubes filhos-da-puta, que destruiram nossas bases, que liquidaram com o sentimento de pertencimento a um clube, que fizeram do ato de jogar futebol uma atividade esvaziada de sentido e repleta de cifras.
Trocamos acordes por cifras.
Mas, ao fim e ao cabo, sinto dizer caros empresário, perdemo todos.
A humilhante derrota do Santos, o baile dos espanhóis deixam evidente que perdemos o posto que por tanto tempo foi nosso. Não o posto de campeões inquestionáveis, mas o posto de jogar e fazer bonito. O posto de sermos respeitados e admirados. O posto de sermos, mesmo que não ganhemos, as autoridades no assunto.
Perdemos e perdemos feio demais.
Que tristeza ver um Santos humilhado, arrasado, amedrontado, pequeno diante da fera Barcelona. Ver o Barcelona jogar o futebol que outrora era o a marca do futebol brasileiro: beleza, eficiência e graça.
Eu fiquei constrangida diante da TV.
Os intelectuais (sobretudo da área de educação) que sempre acharam um absurdo o Brasil se orgulhar de seu futebol (leia o post anterior) devem estar felizes, porque naquilo que nos orgulhávamos e que nos representava como potência mundial, nisso, também falhamos.
E acredito que não há tristeza maior para o povo brasileiro do que perder sua identidade no futebol.
Fica a oportunidade educativa para técnicos, para dirigentes, para a imprensa esportiva do Brasil, sobretudo para a insuportável Revista Placar, que num ano tem mais de 6 capas com Neymar.
E fica para esse bom menino uma das maiores aulas de sua vida: Tem que comer muito feijão com arroz ainda para ser um Messi. Não porque o Messi em si é imabtível, mas porque tem sua trajetória, tem seu percurso, tem seus aprendizados com triunfos e derrotas. Sem isso, caro Neymar - que eu admiro e torço pelo sucesso - não há craque, não há ídolo, não há história.
Você é um menino, e isso não pode ser considerado um defeito, pelo contrário. Mas, não acredite em nada que a Globo, a editora Abril e toda essa corja lhe dizem. Acredite no que você faz, no que você vive e vê. Acredite nas pessoas de verdade e nos fatos em si. Porque a Globo e Cia. vão ser as primeiras a te dar um belo de um pé na bunda, quando você não lhes servir aos interesses de mercado.
Que a imprensa brasileira aprenda de vez que a notícia não é o fato. Que gritar durante todo o mês que Santos e Barcelona, que Neymar e Messi são do mesmo tamanho e força, não faz com que eles de fato sejam. Nós não acreditamos em vocês. Nós acreditamos nos fatos.
Eu espero que essa vergonha de hoje sinalize que a vitória da cifra sobre a chuteira representa uma derrota para todos. Esvaziar o futebol brasileiro de sua beleza, graça e talento é acabar com seu princípio, é acabar com o futebol em si.
O querido Sócrates, em entrevista a Maria Gabriela e também no Altas Horas, pouco antes de sua partida disse muito acertadamente que o Brasil precisa jogar futebol brasileiro. Enquanto tentarmos jogar futebol europeu, sairemos derrotados. (Veja post anteior a este, sobre Sócrates).
O que o futebol brasileiro tem de melhor é ser o futebol brasileiro.
Que ainda haja tempo para reconquistarmos essa qualidade
Se não, não haverá 'Santos' que nos salvem!
É bolada, brasileiro!
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
HISTÓRIA DO FUTEBOL na Revista Beleza Bahia
Gentes.
Depois de uma demoradinha, saiu um novo exemplar da Revista Beleza Bahia, com meus dois textos. Um está aqui e o outro no http://www.artedoespectador.blogspot.com/ .
Quem quiser dar uma olhada na revista toda, aqui está o link: BELEZA BAHIA Nas páginas 46 e 47 (FUTEBOL) e 52 e 53 (BELEZAS INUSITADAS).
Abaixo, o texto com um Breve Histórico do Futebol.
DOS RITOS SAGRADOS AO FUTEBOL MODERNO:
UM POUQUINHO DE HISTÓRIA
Adriana Amorim
“Futebol não é uma questão de vida ou morte. É muito mais do que isso”.
(Autor desconhecido)
São, oficialmente, noventa minutos, divididos em dois tempos de quarenta e cinco minutos cada. O espaço do campo tem a forma de um retângulo, figura geométrica que aqui dialoga e contrasta com a perfeição da esfera, rainha do jogo: a bola. As regras atualmente são dezessete. Os agentes envolvidos, diversos. Além dos vinte e dois jogadores que corporificam a partida e dão forma à disputa, espectadores multiplicam-se em milhões, por todo o mundo. Grosso modo, assim resume-se o futebol. Mas, o que pode esconder-se por trás de detalhes relativamente tão simples? Onde nasce este conjunto de fatores que reunidos transformam-se num dos eventos mais populares do mundo? Quais mudanças ao longo do tempo redefiniram esta atividade? A partir de quais elementos culturais o futebol se constrói e ao fazê-lo como interfere na constituição desta mesma cultura? Vamos tentar responder?
O futebol, assim como o conhecemos hoje, é a compilação de regras e procedimentos que melhor se define como futebol moderno. Organizado pelos ingleses no final do século XIX, precisou de menos de um século para espalhar-se pelo mundo, conquistando multidões de adeptos. Antes deste marco histórico na modernidade, porém, muitas são as representações de jogos com bola, de grupos organizados e de desejos de disputa que demonstram estar na gênese deste fenômeno. Coisa de muito tempo atrás.
O campo dos conflitos simbólicos
As práticas envolvendo objetos similares à bola nas mais remotas civilizações agrárias estão associadas na maioria das vezes a ritos que atribuem a este objeto – geometricamente perfeito, sem distinção de lado, face ou dorso, capaz de movimentar-se ao menor impulso e continuar movendo-se a si mesma – o poder criador que é do sol, relacionando-se diretamente a fatores ligados à fartura de alimentos, ou seja, a bola é quase sempre, sagrada.
Seja na América chamada Pré-Hispânica (antes da chegada dos colonizadores), na Europa Medieval, nos países orientais, onde quer que se procure, encontramos diferentes versões do futebol.
Chutando a cabeça dos adversários abatidos e mais adiante bolas feitas dos mais diversos materiais (ela nem sempre foi redonda!), o futebol representou sempre uma espécie de campo dos conflitos simbólicos. Na maioria dos casos, nos mais diversos países, o modelo do jogo consiste numa luta encarniçada pela bola, envolvendo centenas de pessoas, utilizando-se de pés e mãos, estratégias lúdicas e agressivas para garantir a posse da bola, o que resultava em graves contusões, ferimentos diversos e em algumas vezes, em morte. Realizava-se nas bordas dos povoados e das cidades, envolvendo bosques, campos e brejos, onde a bola, feita de couro e preenchida de capim, farelo, folhagem, grãos, ou mesmo uma bexiga cheia de ar, era disputada com intensidade e desorganização. Um exemplo curioso do futebol chamado de pré-moderno era o Soule, praticado na região onde hoje é a França.
Os grupos adversários, aqui, eram compostos segundo critérios de coletividade, envolvendo relações com características quase familiares: comunidades vizinhas, paróquias, cidade versus campo, e similares. Ao mesmo tempo em que estas relações tinham seus critérios de proximidade, eram evidentes os critérios de competitividade. O que se buscava era a defesa do campo enquanto espaço de fertilidade. Vencer o campo alheio, antes de tudo, é garantir a inviolabilidade do próprio campo, espaço físico onde se produz o alimento que garante a sobrevivência. Perceba que não é à toa que chamamos o espaço de se jogar futebol de ‘campo’. Se boa parte dos esportes modernos acontece sobre chão acimentado, ou transformado pelas grandes tecnologias, o futebol jamais deixou de acontecer na terra, no solo, sobre plantas, esses seres com vida.
Um salto para a modernidade – o futebol de hoje
Em 26 outubro de 1863, segundo a maioria das fontes consultadas, são definidas as primeiras regras para este o de bola praticado nas grandes escolas inglesas. Na Freemasons’s Tavern, Great Queen Street, centro de Londres, Inglaterra, estabelece-se o marco do surgimento do futebol moderno. Enquanto as Escolas de Rugby e de Eton eram favoráveis a pontapés nas canelas e o uso das mãos, os de Harrow e de Cambridge, entre outras escolas, defendiam o “jogo do drible”, onde não era permitido o uso das mãos. Esta e outras diferenças na forma de jogar das escolas envolvidas representaram um grande impasse na definição das regras. Somente em 1877, após algumas releituras, é publicada a versão final das regras. Deste debate sobre as regras do esporte, estabelecem-se também novas regras para o Rugby. As regras de todos estes esportes coletivos eram testadas na prática, dentro das universidades que as construíram e, posteriormente, nos torneios inter-escolares.
Apesar da imprecisão da maioria das fontes, há registros de que a primeira partida oficial teve o placar de 14 X 14, em 1864. A esta época, a posição de goleiro não estava definida, o que só aconteceu em 1871. Este jogador podia tocar a bola com as mãos por toda a extensão do campo até o ano de 1912, quando passa a poder manuseá-la apenas dentro da chamada grande área.
Muitas curiosidades, não? Conhecer a história, não apenas do futebol moderno, mas do futebol enquanto ritual coletivo e, por que não, sagrado, nos ajuda a compreender um pouquinho dessa nossa paixão visceral e irrestrita pelo futebol, pelo nosso time. Não que a gente precise compreendê-la, sentir já está de bom tamanho. Mas já que é para estudar alguma história para fazer bonito na mesa de bar, na festa de confraternização, ou para impressionar a gatinha, que seja a história do futebol, estou errada?
Só que a partir daqui, a gente guarda parte dessa história para o segundo tempo. Duvido que você vai conseguir resistir à próxima edição.
domingo, 28 de agosto de 2011
O CORPO COREOGRÁFICO NAS PARTIDAS DE FUTEBOL: Goleiros
Ah, se eu tivesse tempo para esta empreitada!
Sempre fiquei maravilhada com o movimento do corpo dos jogadores durante as partidas de futebol. E antes que vocês pensem que eu sou uma tarada que se admite publicamente, vou logo esclarecendo. Fico encantada com a coreografia não pensada pelo cérebro, mas sim idealizada, concebida, conduzida e performatizada pelo corpo. O corpo é quem pensa e a mente não é mais que parte do corpo numa partida de futebol.
Eu não sou a única. Sei que tem alguém que fez um vídeo com os movimentos do corpo no futebol e na edição tirou a bola, o que revelou uma belíssima coreografia. Tentei achar no youtube, mas não achei. Nem me lembro onde vi isso, foi numa revista, eu acho. Tanta fonte que a gente se afoga...
Bom, mas enquanto eu não acho esse vídeo e não faço a minha peça inspirada nestes movimentos, vamos a uma seleção de imagens inspiradoras.
Aqui começa uma seleção de imagens para estudo de uma possível coreografia a partir deste universo. Quem sabe não é o começo de um trabalho mais profundo? Há um ano eu comprei o livro o Corpo Poético de Le Coq e ate hoje nem o li. Quem sabe agora...
Que tenhamos todos uma semana MOVIMENTADA!
Sempre fiquei maravilhada com o movimento do corpo dos jogadores durante as partidas de futebol. E antes que vocês pensem que eu sou uma tarada que se admite publicamente, vou logo esclarecendo. Fico encantada com a coreografia não pensada pelo cérebro, mas sim idealizada, concebida, conduzida e performatizada pelo corpo. O corpo é quem pensa e a mente não é mais que parte do corpo numa partida de futebol.
Eu não sou a única. Sei que tem alguém que fez um vídeo com os movimentos do corpo no futebol e na edição tirou a bola, o que revelou uma belíssima coreografia. Tentei achar no youtube, mas não achei. Nem me lembro onde vi isso, foi numa revista, eu acho. Tanta fonte que a gente se afoga...
Bom, mas enquanto eu não acho esse vídeo e não faço a minha peça inspirada nestes movimentos, vamos a uma seleção de imagens inspiradoras.
Aqui começa uma seleção de imagens para estudo de uma possível coreografia a partir deste universo. Quem sabe não é o começo de um trabalho mais profundo? Há um ano eu comprei o livro o Corpo Poético de Le Coq e ate hoje nem o li. Quem sabe agora...
O CORPO COREOGRÁFICO NAS PARTDAS DE FUTEBOL
PRIMEIRO MOVIMENTO: GOLEIROS EM OPOSIÇÕES
Eu acredito que o movimento corporal dos goleiros trazem em si uma aparente contradição: São aterrados como índios num toré, com suas bases atavicamente apoiadas ao chão de terra e grama, de onde tirarão força para o vôo. E aqui a antítese: do ground ao vôo. Goleiros são leves como pássaros que voam com grande lateralidade, como flechas que abusam do movimento diagonal. Braços e pernas em direções opostas desenhando aquele homem-ave em pleno pulo de gato. E o corpo que pensa estratégias e executa defesas, impera absoluto na condução do existir dentro do jogo.
É, são muitas as imagens. Se tiver alguma outra leitura visual do movimento do goleiro, compartilhe comigo, nos comentários:
![]() |
| Aqui eu de goleira, já um resultado estético desta inspiração: Toré de Artista |
Que tenhamos todos uma semana MOVIMENTADA!
Próximo movimento: ZAGUEIROS QUE REBOLAM
É BOLADA, GOLEIRO-BAILARINO!
terça-feira, 16 de novembro de 2010
VISITA AO MUSEU DO FUTEBOL - PACAEMBU - SÃO PAULO
A experiência é única. O museu difere de tudo o que estamos acostumados a pensar de um museu. O passado está ali, se apresentando a nós, através dos ícones do presente: muita instalação, muita multi-mídia, dinamismo, interatividade.
Além da exposição permanente, vimos a exposição Copas do Mundo de A a Z.
Bolas, chuteiras, camisas e uma sessão dedicada a Pelé e Garrincha.
Agora, o mais impactante, para mim, foi a parte que fica nas estruturas das arquibancadas do Pacaembu. Ali, num ambiente quase inóspito, são projetadas imagens de torcidas em telões gigantescos com o som bem alto. As projeções vão se revezando e por ora piscam criando uma sensação de vertigem, como temos às vezes na experiência real. Não há legendas, não há explicação. Não há palavras. Somente a força das imagens e ficamos por muitos minutos ali, embevecidos pela atmosfera única das torcidas de futebol.
Mais adiante, podemos fotografar o Estádio Pacaembu. A concorrência é grande, porque o espaço é pequeno e todo mundo quer tirar sua fotinha ali.
Tivemos o prazer, Eu, Reginaldo Carvalho e Jones Mota (amigos que me acompanhavam) de conhecer o árbitro Emídio Marques de Medeiros, uma lenda da arbitragem, que ouviu um pouco sobre minha pesquisa e conversou conosco. Confira no vídeo logo abaixo. O diretor do Museu também foi muito solícito e pediu uma cópia de minha dissertação, além de dizer que estava disponível para ajudar em minha pesquisa no que fosse preciso.
Na volta, perguntamos ao motorista do táxi se ele já tinha estado no museu, ele disse que sim, que todo mundo já foi ao museu. Ver o futebol num lugar tão clássico de cultura e erudição nos provoca bastante. Vimos muitos jovens se divertindo, passando horas admirando as atrações do museu e isso foi muito agradável.
Espero voltar em breve, com meus filhos e marido, que sei que adorarão. É preciso muito mais do que um dia inteiro para apreciar e se apropriar de tudo aquilo que a impressionante história do nosso futebol tem para nos oferecer. É bom sabermos que fazemos parte disso. É bom ver nossa história assim, organizada, valorizada, disponível para os nossos.
Quem tiver oportunidade, não deixe de ir.
É bolada, visitador.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
ENCONTRO COM JOSÉ MIGUEL WISNIK
Eu encontrei pessoalmente com a minha bibliografia. Rsrsrs. Digo, com meu autor querido, um pilar da minha dissertação e sem dúvida um dos responsáveis pelo meu apreço pelo futebol nos termos em que tenho hoje, mais do que tinha, sem dúvida, antes de ler seu livro, assistir em vídeo suas palestras, ou mesmo apenas ouví-lo em programas de áudio, como é o caso do Café Literário, onde ele trata do tema.
No V INTERCULTE - Encontro Interdisciplinar de Cultura, Tecnologia e Educação, promovido pelo CENTRO UNIVERSITÁRIO JORGE AMADO - UNIJORGE, a palestra de abertura foi, na verdade, uma aula show com os artistas José Miguel Wisnik e Arthur Netrovisk. Um passeio por canções do nosso repertório, pela nossa poesia, pelas obras dos próprios artistas e muitos comentários que nos elevaram a alma.
De futebol, ele não falou, infelizmente, mas tudo vivido ali foi muito bom. E depois da grande aula (apesar dos graves problemas técnicos imperdoáveis, em se tratando de palestra de músicos) a hora da tietagem: pegar autógrafo, falar da minha pesquisa, dar uma revista onde tenho artigos publicados, passar o endereço dos blogs, enfim, ficar perto dessa pessoa que eu admiro tanto para trocar um pouquinho de energia, mais do que de idéias porque a fila da babação tava era grande e simancol é uma coisa que eu tenho...
Ficam algumas fotos do evento para vocês curtirem. Para completar a alegria só faltava o Baêa ter ganho o importante jogo daquela noite, o que não aconteceu. Mas, paciência, né, torcedora... faz parte do futebol. No sábado a gente ganha em Pituaçu de novo!
É bolada, leitor-admirador-aprendedor!!!
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domingo, 17 de outubro de 2010
O PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ARTES CÊNICAS FOI AO ESTÁDIO DE PITUAÇU - E ADOROU!!!
Ontem, 16 de outubro de 2010, finalmente deu certo a nossa visita ao Estádio Roberto Santos, conehcido como Pituaçu, ou melhor ainda, Pitu-aço, porque é a casa do Tricolor de Aço.
Apesar de algumas baixas na escalação tivemos um bonito time. Segue a lista dos convocados que atenderam ao chamado:
No gol: Daniel Marques
Defesa composta por: Reginaldo Carvalho e Paula Lice
Laterais: Alam Félix e João Vicente
No meio: Hannah Abnner, Karina de Faria e Deise Andrade
No ataque (brocando) Adriana Michael Jackson (três gols na partida!!!)
Foi uma linda festa. Um grande espetáculo de cores, sons e muita emoção. Teve vitória do nosso time, com 3 golaços de Adriano Michael Jackson. Teve cartão vermelho para o time adversário. Teve emoção na platéia (eu passei mal na hora no segundo gol, porque não tinha almoçado). Teve Paula Lice descobrindo que ao vivo não tem replay (e nem narração), teve a emoção da saída no já famoso corpo coletivo (veja vídeo no final). Teve Reginaldo comprando o uniforme na entrada. Muitas, muitas emoções.
Veja alguns vídeos:
FOI BOLADA, PESQUISADOR-TORCEDOR-ESPECTADOR. TRÊS BOLADAS!
Apesar de algumas baixas na escalação tivemos um bonito time. Segue a lista dos convocados que atenderam ao chamado:
No gol: Daniel Marques
Defesa composta por: Reginaldo Carvalho e Paula Lice
Laterais: Alam Félix e João Vicente
No meio: Hannah Abnner, Karina de Faria e Deise Andrade
No ataque (brocando) Adriana Michael Jackson (três gols na partida!!!)
Foi uma linda festa. Um grande espetáculo de cores, sons e muita emoção. Teve vitória do nosso time, com 3 golaços de Adriano Michael Jackson. Teve cartão vermelho para o time adversário. Teve emoção na platéia (eu passei mal na hora no segundo gol, porque não tinha almoçado). Teve Paula Lice descobrindo que ao vivo não tem replay (e nem narração), teve a emoção da saída no já famoso corpo coletivo (veja vídeo no final). Teve Reginaldo comprando o uniforme na entrada. Muitas, muitas emoções.
Na terça (19/10) faremos o debate teórico sobre a experiência, como parte das minhas atividades de doutorado. No próximo post trago as considerações. Deliciem-se com as imagens:
Veja alguns vídeos:
FOI BOLADA, PESQUISADOR-TORCEDOR-ESPECTADOR. TRÊS BOLADAS!
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