Deu-se a tragédia!
A vergonhosa derrota do futebol brasileiro hoje, representado pelo Clube Santista, trouxe à luz dos nossos olhos a cruel e desoladora verdade sobre o nosso futebol: Perdemos!
Perdemos todos!
Perderam a magia, a beleza e a arte de nosso belo jogo.
Perderam os artistas da bola, as crianças que crescem com a redonda no pé, que aprendem nas várzeas e campinhos, com bolas de meia e sem chuteiras.
Perdeu a subjetividade de nossa mais bela configuração cultural.
Ganharam os cartolas. Ganharam as incontáveis marcas que poluem as camisas de nossos times. Ganharam os empresários da bola, que esticam os braços de nossos jogadores, puxando e empurrando todos e cada um deles pra lá e pra cá como borrachas de amarrar dinheiro.
Ganharam os presidentes de clubes filhos-da-puta, que destruiram nossas bases, que liquidaram com o sentimento de pertencimento a um clube, que fizeram do ato de jogar futebol uma atividade esvaziada de sentido e repleta de cifras.
Trocamos acordes por cifras.
Mas, ao fim e ao cabo, sinto dizer caros empresário, perdemo todos.
A humilhante derrota do Santos, o baile dos espanhóis deixam evidente que perdemos o posto que por tanto tempo foi nosso. Não o posto de campeões inquestionáveis, mas o posto de jogar e fazer bonito. O posto de sermos respeitados e admirados. O posto de sermos, mesmo que não ganhemos, as autoridades no assunto.
Perdemos e perdemos feio demais.
Que tristeza ver um Santos humilhado, arrasado, amedrontado, pequeno diante da fera Barcelona. Ver o Barcelona jogar o futebol que outrora era o a marca do futebol brasileiro: beleza, eficiência e graça.
Eu fiquei constrangida diante da TV.
Os intelectuais (sobretudo da área de educação) que sempre acharam um absurdo o Brasil se orgulhar de seu futebol (leia o post anterior) devem estar felizes, porque naquilo que nos orgulhávamos e que nos representava como potência mundial, nisso, também falhamos.
E acredito que não há tristeza maior para o povo brasileiro do que perder sua identidade no futebol.
Fica a oportunidade educativa para técnicos, para dirigentes, para a imprensa esportiva do Brasil, sobretudo para a insuportável Revista Placar, que num ano tem mais de 6 capas com Neymar.
E fica para esse bom menino uma das maiores aulas de sua vida: Tem que comer muito feijão com arroz ainda para ser um Messi. Não porque o Messi em si é imabtível, mas porque tem sua trajetória, tem seu percurso, tem seus aprendizados com triunfos e derrotas. Sem isso, caro Neymar - que eu admiro e torço pelo sucesso - não há craque, não há ídolo, não há história.
Você é um menino, e isso não pode ser considerado um defeito, pelo contrário. Mas, não acredite em nada que a Globo, a editora Abril e toda essa corja lhe dizem. Acredite no que você faz, no que você vive e vê. Acredite nas pessoas de verdade e nos fatos em si. Porque a Globo e Cia. vão ser as primeiras a te dar um belo de um pé na bunda, quando você não lhes servir aos interesses de mercado.
Que a imprensa brasileira aprenda de vez que a notícia não é o fato. Que gritar durante todo o mês que Santos e Barcelona, que Neymar e Messi são do mesmo tamanho e força, não faz com que eles de fato sejam. Nós não acreditamos em vocês. Nós acreditamos nos fatos.
Eu espero que essa vergonha de hoje sinalize que a vitória da cifra sobre a chuteira representa uma derrota para todos. Esvaziar o futebol brasileiro de sua beleza, graça e talento é acabar com seu princípio, é acabar com o futebol em si.
O querido Sócrates, em entrevista a Maria Gabriela e também no Altas Horas, pouco antes de sua partida disse muito acertadamente que o Brasil precisa jogar futebol brasileiro. Enquanto tentarmos jogar futebol europeu, sairemos derrotados. (Veja post anteior a este, sobre Sócrates).
O que o futebol brasileiro tem de melhor é ser o futebol brasileiro.
Que ainda haja tempo para reconquistarmos essa qualidade
Se não, não haverá 'Santos' que nos salvem!
É bolada, brasileiro!
Depois da pesquisa de mestrado realizada no PPGAC - UFBA, intitulada TEATRO X FUTEBOL: Por uma dramaturgia do espetáculo futebolístico, dou continuidade à pesquisa em nível de doutorado: A EXPERIÊNCIA TRÁGICA DO TORCEDOR: o Futebol como espetáculo absoluto do Século XX. Neste blog pensamentos, perguntas, problematizações, cotidianices, política, arte, poesia. TEATRO E FUTEBOL juntos, porque entre o campo e o palco, entre o jogo e peça existem mais parentescos do que supõe a nossa vã filosofia.
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domingo, 18 de dezembro de 2011
sábado, 21 de maio de 2011
MAPA DE OPORTUNIDADES PARA A COPA
Ontem estivemos num evento do SEBRAE e da FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS, onde a intenção é mapear as possíveis oportunidades de geração de renda para Micro e Pequenas Empresas da área de cultura, relacionadas com a Copa do Mundo de 2014. Este evento está acontecendo em todas as cidades-sede.
O interessante é que estávamos lá os artistas, assim meio que perdidos, neste universo do empreendedorismo. Curiosamente havia muita gente de dança, algumas de teatro e umas poucas de música. Entre uma coisa e outra percebemos que as atividades culturais realmente têm um grande espaço a ser ocupado neste grande evento, que é ele mesmo, um evento cultural acima de tudo.
Ainda me incomoda ver as atividades culturais relacionadas diretamente ao turismo, não exatamente por estarem associadas, mas pelo fato de a cultura estar sempre subordinada ao turismo e a gente já lutou tanto para separar uma coisa da outra. Mas, enfim, quando vamos discurtir, percebemos que esta relação é real e que deve ser encarada de frente.
Não estou com muito gás para falar tudo que penso sobre a Copa do Mundo no Brasil, em Salvador, sobre minha querida Conquista ser candidata a sub-sede, ou mesmo sobre salário de professores e futebol. Sei que preciso entrar nestas questões o quanto antes, mas agora, realmente, estou sem gás. Fica o compromisso. Blog tem que ser com prazer, né, gente, se não não dá.
Quero apenas registrar que a COOPERATIVA BAIANA DE TEATRO tá na briga para ocupar importantes espaços na produção teatral de Salvador. Fazemos teatro muito bem, precisamos nos tornar empreendedores, competitivos e não tem tempo melhor para fazermos isso do que na preparação da Copa do Mundo. Grandes produtoras, grandes diretore, abram espaço que a Cooperativa Baiana de Teatro tá em campo para jogar de igual para igual.
É bolada, empreendedor!
O interessante é que estávamos lá os artistas, assim meio que perdidos, neste universo do empreendedorismo. Curiosamente havia muita gente de dança, algumas de teatro e umas poucas de música. Entre uma coisa e outra percebemos que as atividades culturais realmente têm um grande espaço a ser ocupado neste grande evento, que é ele mesmo, um evento cultural acima de tudo.
Ainda me incomoda ver as atividades culturais relacionadas diretamente ao turismo, não exatamente por estarem associadas, mas pelo fato de a cultura estar sempre subordinada ao turismo e a gente já lutou tanto para separar uma coisa da outra. Mas, enfim, quando vamos discurtir, percebemos que esta relação é real e que deve ser encarada de frente.
Não estou com muito gás para falar tudo que penso sobre a Copa do Mundo no Brasil, em Salvador, sobre minha querida Conquista ser candidata a sub-sede, ou mesmo sobre salário de professores e futebol. Sei que preciso entrar nestas questões o quanto antes, mas agora, realmente, estou sem gás. Fica o compromisso. Blog tem que ser com prazer, né, gente, se não não dá.
Quero apenas registrar que a COOPERATIVA BAIANA DE TEATRO tá na briga para ocupar importantes espaços na produção teatral de Salvador. Fazemos teatro muito bem, precisamos nos tornar empreendedores, competitivos e não tem tempo melhor para fazermos isso do que na preparação da Copa do Mundo. Grandes produtoras, grandes diretore, abram espaço que a Cooperativa Baiana de Teatro tá em campo para jogar de igual para igual.
É bolada, empreendedor!
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