domingo, 28 de novembro de 2010

DELIVERY SPORT CLUB

ENTREGA!
ENTREGA!

A cantilena da final do campeonato brasileiro mostra que definitivamente a força do clube pra quem se torce é infinitamente maior do que a naturalidade deste torcedor. O que para leigos e desavisados poderia ser uma corrida para saber qual estado tem mais títulos nacionais, é na verdade uma união ao contrário. É a força da competitividade na construção da própria identidade.

Já podemos ver isso bem perto de nós. O torcedor tricolor, fanático, não quer nem saber da campanha POR UM BA X VI NA PRIMEIRA DIVISÃO. Ele quer mais é ver o elevador fazer o serviço completo e ver o Vitória amargar na segunda divisão.


Assim, torcedores cariocas e paulistas têm gritado sem a menor vergonha que seu time entregue para não ajudar o rival. São Paulo 'entregou' na semana passada para o Fluminense o que provavelmente fará também o Palmeiras hoje e também o Vasco contra o Corinthians para que as chances do Fluminense não aumentem.

Torcedores palmeirenses cantam que perder para o Fluminense não é mais do que obrigação.

Do ponto de vista do torcedor, eu entendo essa comoção, até porque participo dela. Mas, do ponto de vista da gestão do futebol, acho lamentável que um campeonato tão grande e importante acabe assim, nesse ENTREGA, ENTREGA sem fim, onde o valor da partida, momento maior da dramaturgia do futebol fica relegado ao mais baixo plano. A idéia dos pontos corridos parece poder evitar compra de árbitros, mas o que se tem visto é que essa certeza já não é tão grande. O risco de se comprar o juiz dos jogos finais só fez se expandir para outros jogos importantes. Como comentou Alam, apenas ampliou-se o mercado.

Esse erra-erra de juiz que tem uma cara danada de falcatrua não foi evitado, e ainda por cima, além de tirar a grande emoção de uma final de campeonato, relega as últimas rodadas a questões não mais esportivas ou estéticas, mas a questões éticas (lembrando que o futebol parece ter sua própria dimensão ética). O torcedor passa a torcer - e pedir - pela derrota do seu time - veja se isso não é uma distorção!

Acho que este modelo de campeonato deve ser repensado, até porque as coisas mudam muito rapidamente e se em algum momento este foi o melhor modelo, tenho certeza de que não é mais e de que isso que se esboça agora - em oposição a outros campeonatos onde o campeão era conhecido com várias rodadas de antecedência - só tende a aumentar nos anos seguintes.

O melhor modelo? Eu não sei, e acredito que ninguém sozinho o saiba. É preciso discutir, pensar e estudar um bom modelo que devolva a graça e a ética esportiva à final do maior campeonato do país do futebol.

É bolada, entregador!!!

sábado, 20 de novembro de 2010

20 de novembro e O negro no Futebol Brasileiro

Para não deixar passar em branco esta data importante, em que a rua foi tomada de trios elétricos, nossa indiscutível marca, por dois motivos distintos mas tão semelhantes: Um trio no Campo Grande conduzia a marcha e a festa da CONSCIÊNCIA NEGRA. Do outro lado da cidade, três trios animam a inacabável festa do acesso do Bahia, mesmo com a derrota de hoje.

Coinscidência? Não. Tenha certeza que não.

O texto abaixo deve ser lido e considerado em seu contexto, obviamente. Já lá se foram mais de 40 anos e a situação, o discurso, o contexto, tudo isso mudou. O que não faz do texto e do livro sobre o qual comenta, um importante documento histórico sobre essa história que se completa: a do negro e a do futebol brasileiro.

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A VEZ DO PRETO - Édison Carneiro - 1964 (Texto das Orelhas da 2ª edição do livro de Mário Filho)

Esta crônica viva, movimentada, alegre, de êxitos e insucessos, avanços e recuos, marchas e contramarchas do negro na batalha que travou por um lugar no futebol metropolitano exemplifica a extrema versatilidade com que, historicamente, o nosso irmão de pele escura vem conquisntando, em todos os terrenos, a igualdade com todos os brasileiros.

A batalha particular do negro é quase toda a história do futebol - e, afortunadamente para nós, as suas várias peripércias são narradas ppor um homem tão senhor do assunto como Mário Filho, um velho sportman que conhece de primeira mão grande parte do que relembra, restaura e revive. E podemos dizer, com ele, que ao menos no futebol, chegou 'a vez do preto', tão bem simbolizada no triunfo mundial de Pelé.

Quando o futebol começou a candidatar-se à preferência popular, faltavam ao negro dinheiro e posição social. Naqueles tempos, as regatas e as corridas de cavalos eram as diversões prediletas. Esporte era para ricos, para brancos, ou pelo menos, para pessoas de boa família. O futebol não excluiu, inicialmente, o negro, mas não lhe deu as mesmas regalias que ao branco. O negro se conformava, parecia conhecer o 'seu' lugar, e o branco podia assumir a confortável atitude de bom senhor em relação aos escravos dóceis e obedientes.

O paternalismo desse primeiro período não durou muito. O interesse do público aumentava cada dia - o futebol não dava camisa a ninguém mas dava renome e fama - o remo e o turfe passavam a segundo plano - e houve um recrudescimento do preconceito de cor. No espírito do tempo, os ominosos tempos em que o fascismo estava em ascenção no mundo, a Amea, uma liga local, e a CBD se lançaram a campanhas de 'arianização' do futebol, afastando dos times jogadores pretos e mulatos, então numerosos - conta Mário Filho - nos clubes do subúrbio Bangu, Andaraí, América, Vasco, São Cristóvão. Tão deliberada era essa atitude dos racistas do futebol que nem mesmo se importavam co o risco da derrota em partidas internacionais. A ofensiva segregacionista fez as suas baixas nas hostes de cor - feridos, estropiado, desertores. Alguns tentaram disfarças a cor - Friedenreich engomava o cabelo, houve um mulato que cobria o rosto com uma camada tão espessa de pó-de-arroz que acabou dando o famoso apelido ao Fluminense. Outros, mais seguros de si, como Robson, declaravam já terem sido pretos. Outros se envergonhavam e se deixavam subjulgar, como Manteiga, que aproveitou a primeira oportunidade para voltar à sua terra, a Bahia, ou Leônidas que, vilipendiado, se refugiou em São Paulo. Outros ainda se asilaram em times estrangeiros. Em geral, porém, o negro não se deu por vencido - e, no campo e na pelada, com paciência e obstinação desenvolveu a perícia que, logo que os tempo mudaram, em especial após algumas derrotas memoráveis em campos estrangeiros, lhe abriu de novo as portas do clube. O negro não recebia um favor - não se confiava mais na vondade e na tolerância do branco, estava seguro das suas próprias forças e possibilidades, estava preparado para competir com quem quer que fosse em igualdade de condições.

Tudo isto está contado, com as minúcias naturais a quem conheceu de perto os acontecimentos que narra, neste livro de Mário Filho, em que estão vivos, estuantes de vida, no acerto e no erro, nas suas debilidades e nas suas virtudes, Friendereich, Manteiga, Leônidas, Domingos da Guia, o técnico Gentil Cardoso, Zizinho, Jair, Jaime de Almeida, Didi, Pelé e tantos outros, negros e mulatos de ontem e de hoje que deram o que podiam à glória e ao esplendor do futebol brasileiro.

Édison Carneiro - Historiador e escritor

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É bolada, meu Nego.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

DEMOREI, MAS VOU AGORA COMENTAR:80 anos vai ser na série A


Estava eu assistindo ao espetáculo curitibano Vida, no Teatro Cacilda Becker, na Lapa em São Paulo, quando o Bahia ia entrar em campo. Ainda no táxi despedi-me do meu amor, que esperava desde a tarde daquele 13 de novembro nas arquibancadas de Pituaçu pelo mais aguardado espetáculo. Desliguei o celular, como de praxe e me entreguei ao belo drama sobre a existência e a solidão - se é que não são a mesma coisa.

Ao fim do espetáculo, fui ao banheiro - minto, ao toillet - e liguei, ali mesmo na salinha de pipi, agachadinha, o celular que pipocou três deliciosas mensagens:
1ªmensagem: Bahia 1 X 0 Portuguesa
2ª mensagem: Adriano 2 gols.
3ª mensagem: Acabou: 3 X 0.

Saio do banheiro equilibrando calças, celular, bolsa, cachecol e tudo o mais. Grito feito louca no educado banheiro - minto, toillet - paulista e mostro, enfim, do que sou feita. Dessa paixão e dessa falta de vergonha de ser feliz. Este orgulho de amar um estado, amar um time, amar uma identidade.

Saio e não consigo quase organizar a frase, dizer que o Baêa conseguiu. Ligo para Alam e com voz rouca e fundo musical ensurdecedor, ele me diz que nunca viu nada tão lindo. Ninguém sai do estádio. Os jogadores no gramado, a torcida nas arquibancadas, uma festa de amor. Um amor coletivo, sem idade, sem gênero, sem parentesco, sem precedentes. Um amor sem limites.

Continuo falando pelas esquinas, comentando com quem quer que passe em minha frente. Na mesma noite meu time paulista - meu timão - havia vencido o Cruzeiro com gol do meu Ronaldo. Pra que melhor? Chego à Augusta, depois de trocar figurinhas futebolísticas com o taxista, e vejo uma feliz camisa tricolor. Lamento não estar com a minha, que havia reservado para o domingo.

Toda essa longa narrativa, para dizer que a felicidade que sentia era tão plena, mas tão plena que eu não conseguia falar de outra coisa. É uma alegria de quem arranjou namorado novo. Ou de quem passou no vestibular. Aquela sensação de que o que parecia justo e certo - mas que podia não acontecer - aconteceu.

O torcedor tricolor estava que era uma pilha só. Um ri e chora sem fim. A cada jogo, novas sensações. Das vitórias, saíamos confiantes, unidos, empolgados. Do traumatizante empate com o Coritiba e o fiasco com o Brasiliense, saímos, simplesmente desolados, para dizer pouco.

E agora, essa alegria. Uma alegria que dura. Podemos dormir e acordar que a alegria não passa. Nem diminiu. Talvez se estabeleça, se tranquilize, mas passar, ah, isso não.

E o interessante é que no fundo, no fundo, toda alegria está naquilo em que a gente concentra energia mesmo para estar feliz. No ano que vem - nosso aniversário de 80 anos - vamos lutar, vamos ter que brigar com iguais, pois jamais deixamos de ser um time de primeira grandeza. Mas nada vai fazer a torcida esquecer este acesso. O elenco, a equipe técnica, o técnico deste momento são história. E Adriano Michael Jackson? HISTORY!!!



Que bom ver este povo feliz. Que bom ver uma cidade pintada de vermelho, azul e branco. Que bom ver a esperança de volta. Que bom ouvir hinos e canções falando do Bahia. Diante de tanta dor e tanta pobreza, miséria e corrupção, eis que o futebol faz da existência uma tarefa mais leve, até prazerosa.

Depois da emoção da ida ao museu do futebol, a vitória que deu acesso ao meu time à primeira divisão novamente, me faz ter certeza de que o objeto que pesquiso no doutorado é de uma relevância inquestionável e me conquistou pelo tamanho da humanidade que reside em si, no sentido mais amplo e genuíno que se possa pensar em humanidade.

Obrigada, meu Baêa, por me proporcionar experiência tão satisfatória e enriquecedora.

Leia o delicioso artigo sobre a subida do Baêa, escrita por Marcelo Barreto para o blog so Sport TV
 http://sportv.globo.com/platb/marcelobarreto/2010/11/06/quando-o-bahia-subir/#comments



É Bolada, elevador!!!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

VISITA AO MUSEU DO FUTEBOL - PACAEMBU - SÃO PAULO


Em visita a São Paulo, entre os dias 08 e 14 de Novembro, para participar do VI Congresso ABRACE (Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas), apresentei meu artigo sobre a derrota do Brasil para o Uruguai em 1950, intitulado O ABSOLUTO E O GROTESCO DA DERROTA: 60 anos de uma tragédia brasileira, onde identifico elementos de tragédias na fatídica partida. Além disso, fiz, entre muitos outros programas culturais e gastronômicos, uma visita ao Museu do Futebol, localizado no Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, atual casa do meu querido Timão, o Corinthians.


A experiência é única. O museu difere de tudo o que estamos acostumados a pensar de um museu. O passado está ali, se apresentando a nós, através dos ícones do presente: muita instalação, muita multi-mídia, dinamismo, interatividade.

Além da exposição permanente, vimos a exposição  Copas do Mundo de A a Z.

Percebemos que muitos jovens frequentam o museu. Encontramos algumas delegações nacionais e internacionais. Os monitores acompanhavam estas caravanas. Boa parte do museu não pode ser fotografada, o que eu acho bom, porque estamos mais interessados em fotografar do que em assistir de fato à exposição e fora que sempre atrapalha o flash daqui flash dali. Há muitos vídeos para assistir, há trasmissões históricas de rádio. Eu ouvi a narração do gol de Ghiggia em 1950. Muito texto para ler, imagens impressionantes sobre os momentos históricos do ano de cada copa. Ícones da identidade nacional, curiosidades sobre termos, lendas e números, muitos números.
Bolas, chuteiras, camisas e uma sessão dedicada a Pelé e Garrincha.

Agora, o mais impactante, para mim, foi a parte que fica nas estruturas das arquibancadas do Pacaembu. Ali, num ambiente quase inóspito, são projetadas imagens de torcidas em telões gigantescos com o som bem alto. As projeções vão se revezando e por ora piscam criando uma sensação de vertigem, como temos às vezes na experiência real. Não há legendas, não há explicação. Não há palavras. Somente a força das imagens e ficamos por muitos minutos ali, embevecidos pela atmosfera única das torcidas de futebol.

Mais adiante, podemos fotografar o Estádio Pacaembu. A concorrência é grande, porque o espaço é pequeno e todo mundo quer tirar sua fotinha ali.

Tivemos o prazer, Eu, Reginaldo Carvalho e Jones Mota (amigos que me acompanhavam) de conhecer o árbitro Emídio Marques de Medeiros, uma lenda da arbitragem, que ouviu um pouco sobre minha pesquisa e conversou conosco. Confira no vídeo logo abaixo. O diretor do Museu também foi muito solícito e pediu uma cópia de minha dissertação, além de dizer que estava disponível para ajudar em minha pesquisa no que fosse preciso.

Na volta, perguntamos ao motorista do táxi se ele já tinha estado no museu, ele disse que sim, que todo mundo já foi ao museu. Ver o futebol num lugar tão clássico de cultura e erudição nos provoca bastante. Vimos muitos jovens se divertindo, passando horas admirando as atrações do museu e isso foi muito agradável.

Espero voltar em breve, com meus filhos e marido, que sei que adorarão. É preciso muito mais do que um dia inteiro para apreciar e se apropriar de tudo aquilo que a impressionante história do nosso futebol tem para nos oferecer. É bom sabermos que fazemos parte disso. É bom ver nossa história assim, organizada, valorizada, disponível para os nossos.

Quem tiver oportunidade, não deixe de ir.


É bolada, visitador.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

DO GRITO AO SILÊNCIO - Futebol para quem tem nervos de aço

Parafraseando a dissertação de mestrado do meu grande amigo e parceiro de doutorado Paulo Henrique Alcântara, intitulada . Do Silêncio ao Grito: As estratégias do encenador-educador Luiz Marfuz na direção dos Jovens do Liceu para o Espetáculo Cuida Bem de Mim, .quero falar, ou ao menos tentar falar, sobre as fortíssimas emoções do jogo de hoje, dia de finados, 02 de novembro de 2010

O jogo valia a liderança da Série B do campeonato brasileiro e praticamente garantiria o acesso à elite do futebol brasileiro em 2011. O Coxa, lider com 60 pontos e o Bahia, vice-líder com 58, lutavam por uma vitória.



O jogo contou com um público caloroso de 32.150 espectadores. 95% deles com o uniforme de torcedor, não tenho dúvida.

Eu não fui ver, mas Alam foi e o motivo deste post é justo um vídeo que ele fez no finalzinho.

Atentem para o seguinte: Na próxima semana vamos a São Paulo para o XI Congresso ABRACE - Associação Brasileira de Pesquisa em Artes Cênicas, onde vou fazer uma comunicação de minha pesquisa e o tema que escolhi foi a tragédia da Copa de 50. Cruzando autores do universo teatral, como Jan Kott, vou fazer uma comparação entre os elementos sugeridos por este autor encontrados nas tragédias e no drama contemporâneo com os elementos encontrados na partida entre Brasil 1 X 2 Uruguai, ocorrida no dia 16 de julho de 1950. Eu ainda nem tinha organizado minha apresentação e eis que a trama acontece.

Aos 40 minutos do segundo tempo, num jogo duro, o Bahia consegue fazer o gol que para mim era o gol da vitória, o gol da liderança, o gol do acesso, o gol da noite. 40 minutos. Eu e minha filha pulávamos de alegria e eu dizia: "Agora é esperar o apito". Mas, no meio da minha dancinha infame, Hannah diz, olhando para a tela do portal terra que dá minuto-a-minuto do jogo: Mãe, tá 1 X 1. Eu repetia: 'mentira, mentira, mentira". 46min do segundo tempo. Antes, segundos antes do apito que eu tanto esperava, o Coxa fez o gol do empate e na mais rápida queda que eu já vi, o Bahia foi de líder a terceiro colocado no campeonato. Gente, como é difícil acreditar.

Eu sou Bahia, todo mundo sabe disso, mas o que mais me chamava a atenção era o inusitado da situação. Eu sei que outras, muitas outras ocasiões semelhantes já aconteceram, até mais dramáticas, quando títulos foram decidios em fração de segundos - no fundo sempre é uma questão de segundos: quanto tempo leva um gol? Mas, eu não tinha vivido nada parecido. Eu ficava imaginando a crueldade do fato com aqueles 32.150 espectadores que silenciaram abruptamente quando ainda comemoravam o gol e só esperavam, como eu, o apito final, que veio logo após o gol trágico.

A pergunta que levo para o Congresso ABRACE vai mais quente do que eu esperava: o que é que faz isso? A quem cabe a decisão? Que força estranha decide os rumos de uma partida? O absoluto? O grotesco? O destino? Os homens?

Alam me confessa então que, atendendo a meu pedido, gravou a comemoração do gol do Bahia, mas acabou, sem querer, gravando o gol do Coritiba. Quando assistia, perguntei a ele se gravou o imenso silêncio que ele mesmo relatou quando aconteceu o gol. Ele disse, conformado: "Não gravei. Meu silêncio foi desligar a câmera"!

Acompanhe o vácuo que ficou do GRITO ao SILÊNCIO:





É BOLADA, TRICOLOR!!!

domingo, 31 de outubro de 2010

ENFIM, A ALEGRIA E A ESPERANÇA!!!

CAROS LEITORES.

É uma satisfação imensa vir aqui para dizer que minha candidata Dilma Roussef venceu as eleições.

Escrever sobre sua vitória é escrever sobre a vitória de uma geração que lutou bravamente contra uma ditadura cruel e sanguinária. A vitória de uma classe social que se impôs e disse NÃO à Globo e seu jogo sujo. Que respondeu muito claramente, dizendo: EU ASSISTO ÀS SUAS NOVELAS MAS NÃO COMPRO SEU  DISCURSO.

É a vitória dos artistas, professores, intelectuais, blogueiros, tuiteiros, ativistas sociais que no momento mais difícil da campanha, arregaçaram a manga e partiram para a batalha.

É a vitória do PT, um partido que apesar de suas contradições e de sua banda podre, não pode se reduzir a isso, muito ao contrário, deve ser livrar destes falsos petistas e devolver a dignidade que é seu maior patrimônio.

É a vitória da mulher, que agora mais do que nunca vai seguir lutando pelos seus direitos, por novas conquistas e por mais humanidade na vida pública.

O discurso de Dilma me emocionou muito, mesmo que por motivos diferentes do que o discuros de Lula em suas duas outras vitórias. Não espero que ela seja um novo, Lula. Espero que ela seja plenamente Dilma. Braços forte, porque para uma mulher chegar a onde ela chegou, com certeza ela teve que lutar duas vezes mais do que um homem teria precisado.

Sinto que será um belo governo, diferente do de Lula, sim, mas um governo tão bom quanto, a seu modo.

A emoção agora, até janeiro, será a despedida de nosso grande Presidente, que mudou a cara deste país.

HOJE ESTOU MUITO FELIZ. NÃO POR ACASO A ESPERANÇA VENCE O MEDO.

Há uma semana fui vítima de uma grande violência, mas hoje, posso dizer que estou mais calma e esperançosa. Espero que muito em breve as pessoas não precisem entrar na casa dos outros para roubar-lhes o que conquistaram tão duramente. Espero que pessoas como a que entrou em minha casa, possam encontrar um caminho diferente deste e que nenhum de nós dois tenha que passar por uma situação de medo como foi para mim e como deve ter sido para ele.

Que todos nós, tenhamos o mais breve possível, o direito de termos nosso próprio dinheiro para que possamos garantir nossas necessidades básicas, nosso lazer, nossos prazeres.

Meu Ronaldo - como era chamado meu notebook, conhecido por todos os meus amigos - foi com o ladrão. Ficou uma tristeza, o medo, um vazio besta. Diria até que uma saudade... Enfim, cada um com suas loucuras.

Mas, hoje é dia de alegria.

Hoje é dia da Vitória (Amanhã é dia do Bahia!!!)

VAMOS EM FRENTE, MINHA PRESIDENTA! EU TENHO ORGULHO DE NOSSA VITÓRIA!!!


É BOLADA, ELEITOR. OU MELHOR: É GOL!

sábado, 23 de outubro de 2010

FELICIDADES, MEU REI

Hoje o queridíssimo Pelé completa 70 anos de idade.

Nada mais justo do que um 5 X 1 do Baêa como presente.

Muitos anos de vida, meu rei.

Nós, baianos, o admiramos muito, mesmo tendo vencido seu glorioso Santos em 1959, nos tornando o primeiro time campeão do Brasil e primeiro time brasileiro a dosputar uma Libertadores. Coisas do Futebol.

FELICIDADES, REI PELÉ!!!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ENCONTRO COM JOSÉ MIGUEL WISNIK

É meu povo, ontem (19/10) foi um dia muito importante para esta pesquisadora.

Eu encontrei pessoalmente com a minha bibliografia. Rsrsrs. Digo, com meu autor querido, um pilar da minha dissertação e sem dúvida um dos responsáveis pelo meu apreço pelo futebol nos termos em que tenho hoje, mais do que tinha, sem dúvida, antes de ler seu livro, assistir em vídeo suas palestras, ou mesmo apenas ouví-lo em programas de áudio, como é o caso do Café Literário, onde ele trata do tema.

No V INTERCULTE  - Encontro Interdisciplinar de Cultura, Tecnologia e Educação, promovido pelo CENTRO UNIVERSITÁRIO JORGE AMADO - UNIJORGE, a palestra de abertura foi, na verdade, uma aula show com os artistas José Miguel Wisnik e Arthur Netrovisk. Um passeio por canções do nosso repertório, pela nossa poesia, pelas obras dos próprios artistas e muitos comentários que nos elevaram a alma.

De futebol, ele não falou, infelizmente, mas tudo vivido ali foi muito bom. E depois da grande aula (apesar dos graves problemas técnicos imperdoáveis, em se tratando de palestra de músicos) a hora da tietagem: pegar autógrafo, falar da minha pesquisa, dar uma revista onde tenho artigos publicados, passar o endereço dos blogs, enfim, ficar perto dessa pessoa que eu admiro tanto para trocar um pouquinho de energia, mais do que de idéias porque a fila da babação tava era grande e simancol é uma coisa que eu tenho...

Ficam algumas fotos do evento para vocês curtirem. Para completar a alegria só faltava o Baêa ter ganho o importante jogo daquela noite, o que não aconteceu. Mas, paciência, né, torcedora... faz parte do futebol. No sábado a gente ganha em Pituaçu de novo!








É bolada, leitor-admirador-aprendedor!!!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

domingo, 17 de outubro de 2010

O PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ARTES CÊNICAS FOI AO ESTÁDIO DE PITUAÇU - E ADOROU!!!

Ontem, 16 de outubro de 2010, finalmente deu certo a nossa visita ao Estádio Roberto Santos, conehcido como Pituaçu, ou melhor ainda, Pitu-aço, porque é a casa do Tricolor de Aço.

Apesar de algumas baixas na escalação tivemos um bonito time. Segue a lista dos convocados que atenderam ao chamado:

No gol: Daniel Marques
Defesa composta por: Reginaldo Carvalho e Paula Lice
Laterais: Alam Félix e João Vicente
No meio: Hannah Abnner, Karina de Faria e Deise Andrade
No ataque (brocando) Adriana Michael Jackson (três gols na partida!!!)








Foi uma linda festa. Um grande espetáculo de cores, sons e muita emoção. Teve vitória do nosso time, com 3 golaços de Adriano Michael Jackson. Teve cartão vermelho para o time adversário. Teve emoção na platéia (eu passei mal na hora no segundo gol, porque não tinha almoçado). Teve Paula Lice descobrindo que ao vivo não tem replay (e nem narração), teve a emoção da saída no já famoso corpo coletivo (veja vídeo no final). Teve Reginaldo comprando o uniforme na entrada. Muitas, muitas emoções.

Na terça (19/10) faremos o debate teórico sobre a experiência, como parte das minhas atividades de doutorado. No próximo post trago as considerações. Deliciem-se com as imagens:
















Veja alguns vídeos:













 
 FOI BOLADA, PESQUISADOR-TORCEDOR-ESPECTADOR. TRÊS BOLADAS!







sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A psicologia de massa do fascismo à brasileira

A psicologia de massa do fascismo à brasileira 


Enviado por luisnassif, qua, 13/10/2010 - 23:15

Há tempos alerto para a campanha de ódio que o pacto mídia-FHC estava plantando no jogo político brasileiro.

O momento é dos mais delicados. O país passa por profundos processos de transformação, com a entrada de milhões de pessoas no mercado de consumo e político. Pela primeira vez na história, abre-se espaço para um mercado de consumo de massa capaz de lançar o país na primeira divisão da economia mundial
Esses movimentos foram essenciais na construção de outras nações, mas sempre vieram acompanhados de tensões, conflitos, entre os que emergem buscando espaço, e os já estabelecidos impondo resistências.
Em outros países, essas tensões descambaram para guerras, como a da Secessão norte-americana, ou para movimentos totalitários, como o fascismo nos anos 20 na Europa.

Nos últimos anos, parecia que Lula completaria a travessia para o novo modelo reduzindo substancialmente os atritos. O reconhecimento do exterior ajudou a aplainar o pesado preconceito da classe média acuada. A estratégia política de juntar todas as peças – de multinacionais a pequenas empresas, do agronegócio à agricultura familiar, do mercado aos movimentos sociais – permitiu uma síntese admirável do novo país. O terrorismo midiático, levantando fantasmas com o MST, Bolívia, Venezuela, Cuba e outras bobagens, não passava de jogo de cena, no qual nem a própria mídia acreditava.

À falta de um projeto de país, esgotado o modelo no qual se escudou, FHC – seguido por seu discípulo José Serra – passou a apostar tudo na radicalização. Ajudou a referendar a idéia da república sindicalista, a espalhar rumores sobre tendências totalitárias de Lula, mesmo sabendo que tais temores eram infundados.
Em ambientes mais sérios do que nas entrevistas políticas aos jornais, o sociólogo FHC não endossava as afirmações irresponsáveis do político FHC.

Mas as sementes do ódio frutificaram. E agora explodem em sua plenitude, misturando a exploração dos preconceitos da classe média com o da religiosidade das classes mais simples de um candidato que, por muitos anos, parecia ser a encarnação do Brasil moderno e hoje representa o oportunismo mais deslavado da moderna história política brasileira.

O fascismo à brasileira

Se alguém pretende desenvolver alguma tese nova sobre a psicologia de massa do fascismo, no Brasil, aproveite. Nessas eleições, o clima que envolve algumas camadas da sociedade é o laboratório mais completo – e com acompanhamento online - de como é possível inculcar ódio, superstição e intolerância em classes sociais das mais variadas no Brasil urbano – supostamente o lado moderno da sociedade.
Dia desses, um pai relatou um caso de bullying com a filha, quando se declarou a favor de Dilma.
Em São Paulo esse clima está generalizado. Nos contatos com familiares, nesses feriados, recebi relatos de um sentimento difuso de ódio no ar como há muito tempo não se via, provavelmente nem na campanha do impeachment de Collor, talvez apenas em 1964, período em que amigos dedavam amigos e os piores sentimentos vinham à tona, da pequena cidade do interior à grande metrópole.

Agora, esse ódio não está poupando nenhum setor. É figadal, ostensivo, irracional, não se curvando a argumentos ou ponderações.

Minhas filhas menores freqüentam uma escola liberal, que estimula a tolerância em todos os níveis. Os relatos que me trazem é que qualquer opinião que não seja contra Dilma provoca o isolamento da colega. Outro pai de aluna do Vera Cruz me diz que as coleguinhas afirmam no recreio que Dilma é assassina.

Na empresa em que trabalha outra filha, toda a média gerência é furiosamente anti-Dilma. No primeiro turno, ela anunciou seu voto em Marina e foi cercada por colegas indignados. O mesmo ocorre no ambiente de trabalho de outra filha.

No domingo fui visitar uma tia na Vila Maria. O mesmo sentimento dos antidilmistas, virulento, agressivo, intimidador. Um amigo banqueiro ficou surpreso ao entrar no seu banco, na segunda, é captar as reações dos funcionários ao debate da Band.

A construção do ódio

Na base do ódio um trabalho da mídia de massa de martelar diariamente a história das duas caras, a guerrilha, o terrorismo, a ameaça de que sem Lula ela entregaria o país ao demonizado José Dirceu. Depois, o episódio da Erenice abrindo as comportas do que foi plantado.
Os desdobramentos são imprevisíveis e transcendem o processo eleitoral. A irresponsabilidade da mídia de massa e de um candidato de uma ambição sem limites conseguiu introjetar na sociedade brasileira uma intolerância que, em outros tempos, se resolvia com golpes de Estado. Agora, não, mas será um veneno violento que afetará o jogo político posterior, seja quem for o vencedor.

Que país sairá dessas eleições?, até desanima imaginar.

Mas demonstra cabalmente as dificuldades embutidas em qualquer espasmo de modernização brasileira, explica as raízes do subdesenvolvimento, a resistência história a qualquer processo de modernização. Não é a herança portuguesa. É a escassez de homens públicos de fôlego com responsabilidade institucional sobre o país. É a comprovação de porque o país sempre ficou para trás, abortou seus melhores momentos de modernização, apequenou-se nos momentos cruciais, cedendo a um vale-tudo sem projeto, uma guerra sem honra.

Seria interessante que o maior especialista da era da Internet, o espanhol Manuel Castells, em uma próxima vinda ao Brasil, convidado por seu amigo Fernando Henrique Cardoso, possa escapar da programação do Instituto FHC para entender um pouco melhor a irresponsabilidade, o egocentrismo absurdo que levou um ex-presidente a abrir mão da biografia por um último espasmo de poder. Sem se importar com o preço que o país poderia pagar.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O que fizemos no passado? O que estamos fazendo agora? O que estamos prestes a fazer?

Entramos numa bela de uma enrascada neste segundo turno. A estupidez e a vergonha estão crescendo e confiantes na vitória. O grupo da Tv globo, veja, folha e afins deve estar comemorando com muita champagne e caviar por terem conseguido fazer esta sujeira que estão fazendo. O que era para ser um debate produtivo de idéias diretas, como queriam alguns, virou um jogo sujo envolvendo religião, sexo, comportamentos pessoais, manipulação de imagens e informações e sobretudo uma chuva de mentiras.

É lamentável o que podemos estar por viver. A vitória da sujeira, da mentira e da canalhice. Eu não posso acreditar que vamos nos deixar abater dessa forma. Eu que acreditava que estávamos indo tão bem em termos de consciência e de liberdade de pensamento. Ledo engano. Vejo que, novamente, opostos votam igual. Vejo que intelectuais se aliam - ainda que não assumidamente pelos mesmos motivos - aos burgueses estúpidos e escravocratas da grande mídia, à classe alta que odeia pobre e quer mais que esse povinho se esconda na periferia.

Eu custo a acreditar que nós professores, estudantes universitários e de pós graduação, que artistas, militantes, agentes sociais não vamos nos unir para barrarmos o crescimento do PSDB. Eu não posso acreditar que estamos entrando nesta enrascada, por termos provocado um segundo turno que só se mostrou podre e sujo, porque o partido podre e sujo assim deu as cartas e por mais que Dilma tente, não consiga fugir deste lamaçal onde nos atiraram.

Precisamos nos unir antes que seja tarde.

O Brasil não pode parar nas mãos do PSDB novamente. Não pode, simplesmente não pode e cabe a cada um de nós fazermos nossa parte.


É hora de quem pensa este país numa perspectiva libertária e plural se unir para barrar o crescimento da candidatura de Serra. A pesquisa mostra que 70% dos ricos estão com Serra. Isso não pode ser ignorado. Empregado não pode votar no mesmo candidato do patrãos. Eles querem coisas diferentes para o país.
A pesquisa mostra ainda que a difamação fez aumentar os níveis de rejeição a Dilma. Mostra que os eleitores de Dilma são em sua maioria homens, o que é de se espantar muito.

Agora que Serra colocou Dilma em mal estar com a comunidade LGBT vem se dizer favorável à união de gays. Você acredita nisso? O modelo de campanha deles é botar Dilma contra todos e ele se aliar a todos. Evangélicos, católicos, ateus, gregos e baianos...

Vamos deixar o marketing sujo (se isso não for um pleonasmos, ai ai...) colocar nossa vitória a perder? Levamos 16 anos para colocar Lula no poder. Não desistimos, mesmo com tantos golpes. A democracia é um bebê e precisa de cuidados. Não podemos cochilar. A cada cochilo pequenas conquistas nos são roubadas. Fiquemos atentos. Precisamos trabalhar.

EU NÃO QUERO SERRA PRESIDENTE! O BRASIL NÃO PODE VOLTAR PARA AS MÃOS DO PSDB. PRECISAMOS NOS UNIR NUM MOVIMENTO INTELIGENTE E ENSURDECEDOR. PRECISAMOS SAIR DA DISCUSSÃO E PARTIRMOS PARA A BRIGA.

BLUSAS, BOTONS, CARTAZES E BANDEIRAS. PRECISAMOS MOSTRAR QUEM SOMOS E DO QUE SOMOS CAPAZES. PRECISAMOS MOSTRAR QUE ESTAMOS UNIDOS POR UM PAÍS LIVRE E JUSTO QUE AOS TRANCOS E BARRANCOS TEM CONSEGUIDO SE ORGANIZAR.

PT DA BAHIA, PT DO BRASIL, PRECISAMOS DE EVENTOS NA RUA PARA MOSTRARMOS QUANTO SOMOS, PARA NOS CONHECERMOS, PARA MOSTRAR QUE NÃO ESTAMOS PARADOS E NÃO VAMOS NOS INTIMIDAR POR ESTE JOGO SUJO. NÓS PODEMOS ATÉ NÃO SABER DIREITO O QUE QUEREMOS, MAS O QUE NÃO QUEREMOS NÓS SABEMOS: NÃO QUEREMOS PSDB NO PODER.

Adriana Amorim
Professora, atriz, mãe.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

TIRIRICA E O VASCO DE 1923 - QUALQUER SEMELHANÇA, NÃO É MERA COINCIDÊNCIA, É PURA REINCIDÊNCIA

Na década de 20, no mundo do futebol o assunto era não só a presença dos negros no futebol brasileiro, mas também a qualidade do futebol jogado por eles. No começo da década, por mais que a superioridade dos jogadores negros fosse uma realidade, ainda se responsabilizava os jogadores de cor por qualquer derrota que por acaso seu clube viesse a sofrer.

Não era apenas uma questão de etnia - ou cor, ou raça, como se tratava à epoca - era também uma questão de classes. Pobres e ricos. Mas, um time quebrou algumas regras e colocou - pela qualidade de seus jogadores - o negro dentro dos campos. Acompanhem trechos do livro de Mário Filho, O Negro no Futebol Brasileiro, uma pérola da nossa bibliografia nacional, editada pela primeira vez em 1947. Com a palavra: Mário Filho:

"Na hora de assinar a súmula, via-se logo a diferença. Os acadêmicos  de medicina do Flamengo, escrevendo o nome depressa, os operários do Carioca levando toda a vida para garajutar o nome. Alguns suando frio, tremendo, achando que nunca seriam capazes de assinar o nome na frente de todo mundo. E tinham assinado o nome mais de mil vezes, de sexta a domingo, cobrindo as letras. Cada clube pequeno arranjava um professor. Só para isso, para ensinar jogador de futebol a assinar o nome.

Se ele errasse na súmula estava tudo perdido. o clube perdia os pontos, a Liga era capaz de chamá-lo para um examezinho. De be-a-bá. Dando uma cartilha para ele ler. Havia jogador que não aprendia a assinar o nome de jeito nenhum. Parecia que tinha aprendido, na hora esquecia, o clube precisava arranjar outro para entrar em campo.

Pascoal Cinelli, por exemplo, passou a ser Pascoal Silva. Um nome mais simples para aprender a assinar. Para ver a importância de saber assinar o nome. Importância que se exagerou pelo culto ao estudante. Havia, naturalmente, uma razão para esse culto. O Flamengo levantou dois campeonatos seguidos, o de 1914 e o de 1915, com um time quase de acadêmicos de medicina. Outros grandes clubes, o Fluminense, o América, o Botafogo, tinham estudantes, mas não assim nessa proporção esmagadora. Nove acadêmicos de medicina e um de direito no time. Quanto mais estudantes, melhor. O que parecia provar que só estudante é que tinha que jogar."

E nesse modelo, o torneio carioca vai seguindo. Os grandes times unidos, criando cada vez mais dificuldade para os jogadores negros, pobres e analfabetos jogarem, criando as estratégias mais absurdas. Os grandes times, ainda com poucos destes jogadores. Os times da segunda divisão, com maior liberdade e mais negros em seu escrete, continuavam assim: pequenos e de segunda divisão. Acontece que um time de negros e pobres fugiu à regra:


"Um clube da segunda divisão, porém, subiu para a primeira divisão. Chamava-se Clube de Regatas Vasco da Gama, e trouxe com ele, mulatos e pretos. (...) Ninguém ligou importância à ida do Vasco para a primeira divisão. Que é que podia fazer um clube de segunda divisão contra um América,c ampeão do Centenário, contra um Flamengo, bicampeão, contra um Fluminense, tricampeão?

O Vasco que botasse quantos mulatos, quantos pretos quisesse no time. Tudo continuaria como dantes, os brancos levantando os campeonatos, os mulatos e os pretos nos seus lugares, nos clubes pequenos.

Mas, quanto mais o Vasco vencia, mais os campos enchiam. Até o estádio do Fluminense ficou pequeno. Gente que nunca tinha assistido a uma partida de futebol deu para comprar a sua arquibancada. Tudo português, o português se julgando obrigado a ir para onde o Vasco ia.

Tornou-se quase uma questão nacional derrotar o Vasco. Os pobres das peladas e dos clubes pequenos brancos, mulatos e pretos dando nos times dos grandes clubes, só de brancos, de gente fina, de sociedade. Muitos sem saber ler nem escrever, mal assinando o nome, sem emprego, sem nada. O time da mistura estava na frente do campeonato, sem uma derrota. tinha de perder, pelo menos uma vez, de qulalquer maneira. O Flamengo não se preparara durante a semana para outra coisa. Treinando o dia todo, dormindo cedo, pondo a garagem em pé de guerra. Quando o jogo começou o Flamengo tomou conta do campo, da arquibancada, da geral, de tudo. Flamengo um a zero, pás de remo embrulhadas em Jornal do Brasil batendo nas cabeças dos vascaínos. Flamengo dois a zero, e novamente as pás de remo subindo e descendo. Quem era do Vasco não tinha direito de abrir a boca.


O Flamengo deixara de ser um clube, um time, era todos os clubes, todos os times, o futebol brasileiro, branquinho de boa famíllia. Tudo estava nos eixos novamente. O pessoal do Vasco quieto, esperando a virada. O primeiro milho era dos pintos. O Flamengo esperasse para ver uma coisa. Às vezes, o Vasco estava apanhando de três a zero, virava,ia ganhar o jogo de quatro,cinco.

Foi começando o segundo tempo, gol do Vasco. E os vascaínos sem poder gritar gol. Um gritozinho, uma pá de remo na cabeça. Só se gritava Flamengo, o Flamengo acabou fazendo mais um gol. Não havia rádio e, apesar de não haver rádio, toda a cidade soube, quase no mesmo instante que o Vasco tinha perdido. Foi um segundo carnaval.

E durante muitos dias casa comerciais de portugueses penduraram um carttaz atrás do balcão que dizia assim:

 'É PROIBIDO FALAR EM FUTEBOL'!

Veio outra semana, o Vasco continuou a vencer, não perdeu mais até o fim do campeonato. A vitória do Flamengo tinha dado a ilusão de que tudo ia voltar a ser o que era dantes: os times brancos levando campeonatos, os times de preto perdendo sempre. A ilusão durou pouco, os clubes finos, de sociedade, estavam diante de umf ato consumado. Não se ganhava campeonato só com times de brancos. Um time de brancos, mulatos e pretos era o campeão da cidade. Era uma verdadeira revolução que se operava no futebol brasileiro. Restava saber qual seria a reação do grandes clubes.

A reação foi tremenda. Em 1924 nascia a AMEA, uma liga de grandes clubes, sem o Vasco."

Essa liga criou regras inacreditáveis para fazer com que os jogadores pobres e negros do Vasco não pudesesm atuar. Era obrigado a trabalhar, as fábricas eram vigiadas para ver se os jogadores estavam trabalhando. Era a fase do futebol amador. era obrigatório estudar. Criou-se a terrível prova do Ba-a-bá. Essa mesma, Deputado Tirirca. Assunte;

"Acabara-se o tempo de o jogador só precisar saber assinar o nome na súmula. Se não soubesse escrever e ler corretamente e na presença de alguém assim como o presidente da liga estava cortado.

Um pouco antes do jogo, o juiz chamava os jogadores, um por um, o jogador assinava a súmula e pronto. Mas a Liga foi exigindo mais. A papeleta de inscrições tornou-se quase um exame de primeiras letras. Um aporção de perguntas. Nome por extenso, filiação, nacionalidade, naturalidade, dia em que nasceu, onde trabalha, onde estuda, etc, etc.

Muito jogador que sabia assinar o nome se pertubava. Bastou Leitão ir para o Vasco e teve que assinar a pepeleta de inscrição na frente de Célio Barros, então presidente da Liga Metropolitana. Célio de Barros não tirava os olhos de cima de Leitão. Leitão suando frio, parecia que não ia acabar nunca de encher a papeleta."



Mário Filho - O negro no Futebol Brasileiro.


Pouco a dizer depois de um exemplo tão eficaz do que temos feito ao longo desses quase cem anos, com os pobres, negros e analfabetos do nosso país.

Se não conseguiram impugnar a candidatura de Tiririca, não venham agora cassar sua eleição. Como ir contra a expressão de 1.300.000 pessoas que seja lá porque motivo foi, elegeram Tiririca com essa marca histórica. Parafraseando Daniel Marques: "roubar de gravata, paletó e diploma pode? Analfabeto, não?"

Não sei se ele vai roubar, não sei o que ele mesmo vai fazer lá (nem ele sabe...) mas que sua presença é genial em termos de provocações para nossa política e ainda em termo de performatividade, de expressividade, eu não tenho a menor dúvida.

A candidatura de Tiririca já foi um das maiores PERFORMANCES desse começo de década. Seu mandato não deve ser diferente. Ele faz o que o palhaço faz de melhor: ele assume e escancara o ridículo da situação. Vamos ver o que vai ser esta presença no Congresso. Quem sabe não é essa nossa salvação?


Leia também: http://correiodobrasil.com.br/somos-todos-palhacos-tiririca/184551/
Assine o abaixo assinado: http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/abaixoassinado/7167/1

É bolada, eleitor!


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MARINA, VOCÊ SE PINTOU??? Impossível não divulgar.

Marina,... você se pintou?
Maurício Abdalla [1]

“Marina, morena Marina, você se pintou” – diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o “grito da Terra e o grito dos pobres”, como diz Leonardo Boff.
Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias?
Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as “famiglias” que controlam a informação no país. E elas não só decidiram quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito.
Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas “os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz”. Sacaram da manga um ás escondido. Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja.
Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. “Azul tucano”. Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.
Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a “vitória da Marina”. Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.
“Marina, você faça tudo, mas faça o favor”: não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você “tanto faz”. Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem “esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele”.
Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. “Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu”.


[1] Professor de filosofia da UFES, autor de Iara e a Arca da Filosofia (Mercuryo Jovem), dentre outros.
 

sábado, 2 de outubro de 2010

OXENTE, BAHIA

Tricolor, fala sério.

Por que essa tristeza? Cadê as vitórias lindas de 'nestante'?

Cadê a confiança, o entusiamo, a união?

Oxente, meu Bahia, Bahia do meu coração.

Cadê o gol Jael?
Cadê o gol, Santo Graal?

Tamo na linha, mas queremos é ser campeões.

Você pode meu time. Meu grande time
(que o timão é meu Corinthians)

Márcio, meu filho, arruma esse trem aí. Se era para desistir, nem botasse na gente o gosto bom da vitória.

A gente acredita. A gente sempre acreditou. A gente sempre vai acreditar.

Gol, minha gente, gol.

Só serve ganhar na terça, entendeu? GANHAR.

É BOLADA, TREINADOR!!!


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