domingo, 18 de setembro de 2011

POEMINHA PARA O TORCEDOR

TORCEDOR É BICHO BESTA, BESTINHA.

QUANDO O TIME PERDE É O PIOR DO MUNDO
O MUNDO VAI ACABAR
AS PAREDES VÃO DESABAR

MAS BASTA UM TRIUNFO
UM TRIUNFOZINHO

O CORAÇÃO DISPARA
OS BRAÇOS, SOLTOS NO AR
A GARGANTA EXPELE UM GRITO
E A JANELA GANHA UMA BANDEIRA

A GENTE DORME SORRINDO
A ESPERANÇA ACALANTA A ALMA

MAS CALMA,
MUITA CALMA

SOUZA AINDA É SOUZA
E A ZONA AINDA É SOMBRA

MAS A SEMANA
É TRICOLOR ATÉ QUARTA-FEIRA

E, ENTÃO, MAIS UMA VEZ
COMEÇA UMA NOVA EXISTÊNCIA

DE ALEGRIA OU DE DOR
SÓ SABEMOS POR VIVERMOS


EU AMO SER TORCEDORA

sábado, 17 de setembro de 2011

BAHIA MINHA VIDA - Tá mais perto do que longe

Está prevista para 30 de setembro a estreia do grande filme BAHIA MINHA VIDA, sobre esta grande torcida. Aqui, mais uma vez, um tequinho dessa alegria:




É BOLADA, ESPECTADOR!!!!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Bahia e a crise de abstinência

Confesso que estava curando minha dor, me recuperando da agonia sofrida no domingo último. Era onze de setembro e o Baêa entrou em campo pra homenagear a data provocando o maior TERROR para sues torcedores. Comecei o campeonato dizendo para todo mundo que o Bahia ia brigar pela Libertadores, que o time só faltava afinar, tinha potencial, etc...É amarga a minha constatação, a ficha definitivamente caiu, o Baêa é (ou está) um time pequeno e joga para não cair pra segunda divisão.

Este 2 X 0 foi um tiro de misericórdia. Não dá pra vislumbrar mais nada a não ser a fuga da Z-4. A mudança de técnico foi pra quê mesmo? O Baêa de Renê era muito mais ofensivo, a principal caracteristica daquele time era a velocidade no contra-ataque. O que o Baêa de Joel nos apresentou neste dois jogos? Um time lerdo, lento, uma lerdeza de dar nos nervos, melhor, o time é um bando de cachorro doido correndo de um lado para outro sem objetivo nenhum.

Tem que dar uma comida de rabo nesses caras, temos que APERTAR A MENTE desse povo, tumutuar essa porra… Que merda é essa véio! Os salários estão atrasados? Esta merda desse Carlos Alberto é um puta de um preguiçoso, é um verdadeiro conto de fadas: fala bonito, sacode os cabelos, reclama com a arbitragem, se joga, prende a bola e perde a bola armando (quase sempre) o contra-ataque do inimigo, ou seja, improdutivo absoluto. Pra que botar dois meias de armação com limitações fisícas tão agudas como  Carlos Alberto e Ricardinho? Esse outro escroto é mais uma desgraça na minha equipe, só de lembrar o jogo contra o corínthians dá vontade de matar.

Tirando Tiago e Marcos (ói eu pagando minha língua novamente) que, em certa medida, ofereceram resistência ao Galo, o resto do time nem merece menções, mas mesmo assim, não posso deixar passar em branco porque o ataque tricolor com Júnior e Reinaldo foi tão efetivo quanto minha avó sozinha (que Deus a tenha), jogando sentanda e de olhos vendados. Uma falta de vontade, concentração e velocidade que faz a gente chorar de saudade de Ávine e Jobson. Jancarlos não tem mais condição de jogar, ao que me parece sua carreira acabou no ano passado naquela falta no 3 X 0 contra o Naútico. Titi também foi mal como a zorra, já Paulo Miranda foi o grande vilão da noite, e tem errado constantemente regularmente continuamente muito muito nos jogos anteriores. Dessa vez, ao invés de proteger a bola até ela sair pela linha de fundo e ganhar o tiro de meta, botou a bola pra fora gerando um escanteio que gerou um pênalti (falta dele mesmo) que gerou uma expulsão (dele mesmo) que gerou um gol aos 48' do primeiro tempo depois de esgotado os acréscimos.

O primeiro tempo era um show de horrores, a torcida do Atlético estava virada na porra com o time e parecia até que o cenário poderia ficar melhor para esquadrão após o intervalo. Mas o Bahia queria muito perder o jogo e Paulo Miranda não ia deixar barato. Após o já citado escanteio, ele e sua mania constante de segurar os outros foram premiados com o já citado pênalti e o segundo cartão amarelo + vermelho que acabou com a já citada expulsão. Isso depois dos já citados acréscimos esgotados e em um lance que o juiz precisava “interpretar”. Que Bahia caridoso. Que juiz atento!!! Gol de Magno Alves e um a menos pro segundo tempo.

O segundo tempo foi só terror, o bahia não pegava na bola. foi horrível... Pra não perder o costume Tiaguisse no segundo gol, o bicho ficou o pé no chão, a bola passando do seu lado e ele não se jogou (acho que era pra não se sujar). Maranhão entrou no lugar de Ricardinho, Jones no lugar de Reinaldo e Danny Moraes no lugar de Júnior mas a miséria já estava feita. Fora uma cabeçada bêba de Jones no travessão, o segundo tempo foi um miséria, aliás, todo o jogo foi, no geral, sem inspiração, sem reação, estabanado e desestimulado. TERROR, TERROR, TERROR...  "Papai" Joel vai ter que trabalhar muito porque acho que os sete anos rebaixado deixaram o Bahia apegado demais com as séries B e C. O tricolor está viciado passando por uma crise de abstinência. Valei-me meu pai, socorre aqui: "eu estou vestido com as armas de Jorge para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem, para que meus inimigos tenham pés e não me alcançem, para que meu inimigos tenham olhos e não me vejam". Atôtô.

Alam Félix

domingo, 4 de setembro de 2011

CHOCOLATE PRA CIMA DO FLAMENGO

O treinador Eduardo Barroca, interino (é, não é mais novidade que Renê dançou), escalou o seguinte time para o jogo de hoje: Tiago (que medo); Jancarlos, Paulo Miranda, Titi e Dodô (ai, meu deus); Fabinho, Fahel, Carlos Alberto e Ricardinho (minha mãe nos acuda); Souza (socorro!!!) e Reinaldo (acuda, meu pai!). Meu receio se estabeleceu de imediato pois esse time não é nem de longe o que de melhor o esquadrão já mostrou nesse campeonato nacional de 2011.

Depender de Souza e Reinaldo é o fim. Será que a direitoria não vai trazer nenhum reforço pro ataque? E Dodô? Maranhão jogou tão bem naquela posição no último jogo! Insistir com Ricardinho e Carlos Alberto juntos é disputar quem é o mais lento. E Tiago, por que meu Deus?!? Olhe Omar aí, homem!

Mas, eis que a estrela do interino brilhou, E BRILHOU MUITO!!!! Meu Baêa jogou o jogo todo. Todo mundo jogou bem, não  se apequenou diante do flamengo, que, diga-se de passagem, apostava numa vitória fácil para tirar o pé da lama. Com esta derrota o rubro-negro carioca soma o sexto jogo sem vencer.

O Baêa aguerrido dominou o jogo, teve a posse de bola e manteve o rubro-negro recuado a maior parte do tempo. Até mesmo as mexidas foram acertadas, Eduardo Barroca colocou Diones no lugar de Carlos Alberto, que cansou no segundo tempo e já tava rifugando; Júnior entrou no lugar de Souza (grande atuação, pasmem!, participou de dois gols e marcou um, cansou e pediu pra sair; Jones substituiu Reinaldo, esse andou sumido no primeiro tempo, mas apareceu bem no segundo.

O futebol desses caras estava escondido onde? Como é que faz um jogo horroroso na quinta-feira e chega no domingo e dá o maior CHOCOLATE no flamengo em pleno Engenhão? Com direito a OLÉ!! Esses caras estavam era querendo derrubar o Renê, rapaz.

Que meu Baêa continue brocando assim, que esse resultado seja uma constante e o caminho do gol tenha chegado definitivamente no intinerário dos meus atacantes. Mais um, mais um e nós vamos colocar mais uma estrela no peito, Amém!

Amanhã completo 38 anos de idade, aceito esse triunfo como um presente do esquadrão de aço para mim e que sirva também de aviso pro Joel Santana que está chegando: "somos grandes" e temos qualidade.

Bora Baêa minha porra!
Alam Félix

domingo, 28 de agosto de 2011

OXE, QUE BAÊA É ESSE, RAPÁ? ou: Livrando a cara de René Simões

Uma voz masculina para pôr um pouco de testosterona nesse blog. Fala Alam Félix*:

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Nem bem o jogo terminou e começaram as especulações de que a cabeça de Renê Simões iria rolar.

Desculpem-me os entendidos da bola, mas quem menos tem culpa do rendimento deste escrete tricolor é o nosso querido treinador. Nosso time joga bola, mas não consegue render, falta fundamento... não só isso falta muita coisa.

Será falta de treino?

Falta também muita vergonha na cara.

Voltemos ao jogo contra o Ceará... O trabalho de Renê Simões é armar o time em campo de forma que a equipe crie jogadas com chances reais de concretisar a meta. Só Lulinha teve duas chances claras, Jones outras três irritantes chances perdidas e outras tantas de Júnior que meus nervos perderam as contas. Se nossos atacantes não estão tendo competência na hora de empurrar para as redes a culpa, definitivamente, não é de Renê, o time chegou lá na cara do gol e não soube aproveitar.

O Ceará produziu pouco durante o jogo (devo estar louco! 3x0 queria mais?) o Baêa segurou legal no 1º tempo e também até criou mais contra um Ceará retrancado e jogando com três zagaeiros; foi senhor absoluto também no 2º tempo até levar o segundo gol, e aí foi um Deusnosacuda!

O segundo gol vai pra conta do Paulo Miranda que continua cometendo erros fatais e o terceiro vai pra conta do tal do Thiago que não é goleiro nem aqui, nem em lugar nenhum! PelamoedeDeus! Coloco na conta do professor só a substituíção de Lomba por Thiago, porque não o Omar? Essa peste de frangueiro não segura nada, é pior que arame liso, a gente sofreu o que sofreu no Baianão, o que é que esse cidadão faz no banco do Baêa? Pior: ele entra no jogo!!!! O melhor goleiro do estadual foi contratado pelo esquadrão, não foi?

Cadê Jair? Cadê João Neto?

Não vamos depositar a culpa dos insucessos do time em Renê, não, mas quem é que vai pagar a conta?

Com certeza a torcida que lota Pituaçu a cada jogo e na maioria das vezes sai de lá triste e revoltado. Que 'inhaca' da zorra é essa rapá? Essa história de que joga bem e não levou já deu. A gente quer muito mais que isso aí. Jobson vai fazer uma falta retada, mas a gente continua torcendo porque é torcedor, mas a gente tá de olho. Tamo livrando sua cara aí Renê, mas acorda esse povo senão a gente vai invadir essa porra de campo e fazer nosso protesto. Pronto, falei.





Alam Félix é professor de teatro e tricolor fanático, obviamente!


É bolada, torcedor especializado!

O CORPO COREOGRÁFICO NAS PARTIDAS DE FUTEBOL: Goleiros

Ah, se eu tivesse tempo para esta empreitada!

Sempre fiquei maravilhada com o movimento do corpo dos jogadores durante as partidas de futebol. E antes que vocês pensem que eu sou uma tarada que se admite publicamente, vou logo esclarecendo. Fico encantada com a coreografia não pensada pelo cérebro, mas sim idealizada, concebida, conduzida e performatizada pelo corpo. O corpo é quem pensa e a mente não é mais que parte do corpo numa partida de futebol.

Eu não sou a única. Sei que tem alguém que fez um vídeo com os movimentos do corpo no futebol e na edição tirou a bola, o que revelou uma belíssima coreografia. Tentei achar no youtube, mas não achei. Nem me lembro onde vi isso, foi numa revista, eu acho. Tanta fonte que a gente se afoga...

Bom, mas enquanto eu não acho esse vídeo e não faço a minha peça inspirada nestes movimentos, vamos a uma seleção de imagens inspiradoras.

Aqui começa uma seleção de imagens para estudo de uma possível coreografia a partir deste universo. Quem sabe não é o começo de um trabalho mais profundo? Há um ano eu comprei o livro o Corpo Poético de Le Coq e ate hoje nem o li. Quem sabe agora...

O CORPO COREOGRÁFICO NAS PARTDAS DE FUTEBOL

PRIMEIRO MOVIMENTO: GOLEIROS EM OPOSIÇÕES

Eu acredito que o movimento corporal dos goleiros trazem em si uma aparente contradição: São aterrados como índios num toré, com suas bases atavicamente apoiadas ao chão de terra e grama, de onde tirarão força para o vôo. E aqui a antítese: do ground ao vôo. Goleiros são leves como pássaros que voam com grande lateralidade, como flechas que abusam do movimento diagonal. Braços e pernas em direções opostas desenhando aquele homem-ave em pleno pulo de gato. E o corpo que pensa estratégias e executa defesas, impera absoluto na condução do existir dentro do jogo.

É, são muitas as imagens. Se tiver alguma outra leitura visual do movimento do goleiro, compartilhe comigo, nos comentários:
Aqui eu de goleira, já um resultado estético desta inspiração: Toré de Artista


Que tenhamos todos uma semana MOVIMENTADA!

Próximo movimento: ZAGUEIROS QUE REBOLAM


É BOLADA, GOLEIRO-BAILARINO!

domingo, 21 de agosto de 2011

JUIZ, FÉLA DA POOTA, vai esculhambar o jogo de outro

Eu juro que eu me controlei pra não escrever, porque ia ficar parecendo mágoa de cabocla, parecendo choradeira de quem perdeu, mas agora num dá mais, né gente...

E vai numa linguagem de torcedor mesmo, viu.




A gente vai fingir que não tá uma esculhambação este campeonato brasileiro até quando, hein? A gente vai fingir que num tá vendo o esquema montado para manter os times da ‘periferia’ do Brasil fora dos grandes campeonatos, longe das zonas de classificação, até quando?

Quantos times do Nordeste e do Norte ainda estão na série A? Até quando? É um esquema, gente, tô falando.

Porque, pela mãe do guarda, o que os juízes têm feito com o time do Bahia neste campeonato é uma coisa assustadora. Vai dizer que eu tô exagerando? Gols legais anulados, pênaltis não marcados para nós e marcados para eles quando não há, cartão amarelo a toda hora, passar do tempo regulamentar e dos acréscimos anunciados, fala sério.

O Bahia, como grande time que é, vai se mantendo firme, dando trabalho para os grandes times. Diz pra mim se o Bahia não deu baile no Corinthians, no Santos, no Flamengo, no Fluminense e mesmo no Vasco? Diz, honestamente se não é time pra G4. É, gente. Não ganhou, mas também não perdeu para times que estão no G4. E o líder só ganhou porque o juiz roubou mais do que político quando se elege. Que porra de jogo foi aquele? E Neto dizendo que o Corinthians tava melhor... a onde? Sofrendo pra manter o 1 X 0 fruto de um pênalti roubado.

Ah, tá ficando feio e chato e a gente precisa fazer alguma coisa, fazer um barulho. Acabar com essa sujeira a gente não vai, mas pelo menos tem que dizer que tá feio, que tá todo mundo percebendo.

E não é só contra o Bahia, não. Depois dos jogos, é uma chuva de denúncia nas redes sociais. O Inter hoje com o Flamengo... Olha gente, eu sei que estudo futebol na academia, e não sou assim especialista no jogo pra falar com propriedade de macho, mas peraí, eu achei o juiz muito ladrão pro Flamengo. Muito cartão amarelo pro Inter, o gol de Ronaldinho foi meio roubo do cara lá na barreira, num foi não? Eu hein.

Isso não é de hoje, né. Aqui mesmo nesse blog eu falei do Vasco de 23, quando todos os times cariocas se indignaram que aquele time de pretos que acabara de subir para a primeira divisão estava ganhando de todos. Não conseguiram tirar o campeonato do Vasco, mas pelo menos tiraram sua invencibilidade que tornava a humilhação ainda maior. Todos os times cariocas se juntaram, sobretudo os arquirrivais Flamengo e Fluminense, para baterem no Vasco (que agora cresceu, virando time grande e ganhou roubado do Bahia, quando o jogo já tinha acabado e o juiz não marcou a falta no goleiro do Bahia).

E como se os juízes não fossem suficientes para a sacanagem, ainda escalaram para o time da putaria os comentaristas da Globo e da Band que para humilharem o futebol do Norte-Nordeste (e tudo o mais que a gente fizer por aqui) até deixam de ser rivais. Isso sim é INACREDITÁVEL. ISSO SIM É UMA BOA DUMA BOLA MURCHA.

Quem consegue assistir a um jogo na Band, quando o time adversário é paulista? Fala sério, eles não percebem, não, que aquilo é uma vergonha? Que eles simplesmente ignoram que o Brasil é muito mais do que São Paulo. Eles narram o jogo sempre do ponto de vista do time paulista. Bem assim é a Globo com os times do Rio. Ok, quer colocar torcedor para comentar, coloca dos dois times, porra. Eu sou corintiana também, mas aguentar Neto, ninguém merece, né. E cá pra nós, eu já cansei da briga encenada dele com o insuportável do apresentador do Terceiro Tempo que eu esqueci o nome e tô com preguiça de procurar. Chato! Milton Neves, lembrei quando estava revisando o texto.

E os comentaristas da Globo? Júnior, flamenguista e Casagrande, corintiano. Dá pra ser feliz com tanta manipulação?

Eles, além de desagradáveis eles fazem um papel nojento, que é o de esconder as merdas que os juízes vêm fazendo. Eles mesmos, podem perceber, se dedicam meia hora a defender o juiz quando a merda é inegável. Eles querem colocar a todo custo a leitura deles na cabeça dos espectadores. O lance do gol de Ronadinho mesmo hoje, e o cartão vermelho do Inter, eles falaram demais. Se tivesse mesmo tudo certo eles não precisariam fazer tanta falação. A gente sente a voz deles insegura, vê que eles tão criando uma argumentação para livrar a cara do juiz e não permitir que a polêmica seja criada durante a semana nos botecos, bancas, padarias e açougues... Eu estudo recepção, gente, eu sinto a dissimulação.

Ai, que raiva, viu.

E tem mais, eu acho isso uma sacanagem com o futebol e um tiro no pé. Porque vai ficar tão feio que a gente vai acabar escolhendo algo que realmente nos represente, que fale de nós. Estão definitivamente tirando o futebol do povo, fazendo dele um negócio podre, burocrático, falso, manipulado, tirando dele seu elemento fundamental que é o destino, o imponderável, o emergente. Sem isso, acabou. Para ver cena montada a gente tem os teatro, que passou pelo mesmo processo de burocratização e sequestro de seu verdadeiro dono: o povo. Pois a gente vai fazer o mesmo que fizemos com o teatro: Vamos deixar de lado, deixar de ir, deixar de ver, deixar de acreditar.

Eu sempre quis, na minha pesquisa, identificar uma possibilidade do teatro encontrar no futebol uma forma de voltar ao povo, até o momento em que me dei conta que o futebol já era em si o teatro do povo.

Mal sabia eu que era o futebol quem corria o risco de se vender como o teatro. Queria que ainda houvesse salvação, mas pra ser sincera, não acredito não.

E que ironia do destino. Vai acabar o juiz tendo não só o poder de acabar com o jogo, como também pôr fim ao futebol. Que cômico. Que trágico.


É BOLADA, TORCEDOR USURPADO!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

MAIS DEMORADA QUE JOGADOR CONTUNDIDO

Oi, gente.

Eita que eu demorei de voltar mais do que jogador contundido, num foi?

Muitos motivos, quem os deseja conehcer pode acessar o http://www.artedoespectador.blogspot.com/, os dois últimos posts.

Não falei do mico da Seleção Brasileira na Copa América, da vontade que eu tive de tomar uma champagnhe com Dunga, porque eu tenho certeza que ele estourou uma e com toda razão...

Não falei da palhaça do projeto Neymar sendo publicados verdadeiros dossiês sobre o Novo Rei na Veja, na Caras, na Placar, tudo ao mesmo tempo, na semana de início da referida Copa.

Não falei da roubalheira dos árbitros em jogos de grandes contra o meu grande Bahia, desde o jogo com o Timão, até o último contra o Cruzeiro.

Não falei da delícia de ver Jael pirraçando os rubro-negros, colocando um pouquinho de tempero na existência frouxa e insípida dos jogadores de futebol de hoje.

Não falei da parceria na nova Granja de Rogério Ceni e Júlio César.

Não falei que eu acho o novo padrão do Bahia lindo!

Mas, listado boa parte daquilo que eu adoraria ter falado, fora os textos teóricos que eu tenho produzido sobre teatro e futebol e que quero muito publciar aqui, vamos andar pra frente, né, que cada jogo é 3 pontos.

Volto à ativa e espero recuperar cada um dos meus leitores que desistiram de meu blog porque encontrava sempre o mesmo post desatualizado.

Já já eu faço um post-conceito que esse aqui, fala sério, é só um post-comentário.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

BOAS FESTAS JUNINAS

Caros amigos e amigas.

São Jão é no interior, né? E no interior a vida real - felizmente - ainda é maior, bem maior, que a vida virtual. Pelo menos no meu caso.

Assim, não tenho muito acesso à INTERNET quando estou na casa da minha família e, cá pra nós, não me mobiliza muito ir à lan-house.

Assim, ficaremos um tempo sem postar, sem atualizar as páginas, mas - sem dúvida - atualizando a vida e produzindo muita experiência a ser postada, fotografada ou mesmo encenada no futuro.

Grande abraço a todos!

Bom São João, São Pedro e 2 de Julho!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

DE ARTISTA A MECENAS: sempre um fenômeno



Muito se tem criticado Ronaldo Fenômeno  porque é um grande hobby, para alguns, criticá-lo, sobretudo aqueles que têm uma dorzinha quando assistem ao sucesso alheio.

Sei que Ronaldo não é nenhum santo. Sei que a comoção que a Globo tentou criar na sua despedida da seleção não colou e ficou mesmo foi uma senhora canastrice. Uma sugestão do que talvez fosse para ser. Enfim, análise dos espetáculos, por quem está meio que condicionada a ver a vida assim. Isso é bom e ruim...

Mas, o personagem-ator-jogador em si, ah, desse todo mundo sabe que eu sou fã mesmo. E olha que eu tento achar os defeitos dele maiores que suas qualidades, mas eu não consigo.

Eu achei muito generoso, corajoso e provocador ele ter a coragem de fazer uma despedida daquele jeito. Gordo até não poder mais. Pesado, sem reflexo. Quem mais poderia se dar ao luxo de terminar a carreira como atleta mostrando todas as suas antigas qualidades transformadas em defeitos? Quem se permitiria protagonizar um espetáculo revelando a distância entre o que outrora era virtuose e agora vira piada?

Só os grandes homens (e mulheres) são capazes de rir de si mesmo. De reconhecer seus 'agoras' e viver com eles, e incorporá-los à sua nova condição.

E Ronaldo, gênio que é, sabe que pode rir e fazer rir os outros de sua inabilidade no campo, porque sabe que dela não precisa mais, a não ser como memória, como tijolos firmes e rijos de uma sólida história.

Pode rir de si mesmo, o Fenômeno, porque até mesmo este gesto o aproxima do homem comum, faz dele o Ronaldo gente, simpático, carismático e amigo próximo.

Agora, ele vai dedicar-se àquilo que tanto fez jogando pesado no campo: ganhar dinheiro. Assistindo ao jogo de despedida, uma amiga falou:

"Gente, esse homem ganhou muito dinheiro."

Eu disse:

"Que nada. Ele vai começar a ganhar dinheiro agora."

George Matos, leitor e amigo de infância, mandou pra mim por email um texto de um blog falando desse Ronaldo empresário TRISTE FUTEBOL DA ERA RONALDO e de alguma forma, criticando sua atuação nessa área, fazendo uma ligação entre essa nova era Ronaldo, com o momento do futebol em que o dinheiro é quem manda. Eu entrei na briga com ele e respondi:

"O mercantilismo do futebol não é uma invenção de Ronaldo, e este não é o primeiro culpado por o futebol estar se tornando a merda que está (como o teatro fez no século XIX e XX). Fica parecendo que é culpa de Ronaldo. Eu acho uma merda também, futebol ser indústria, e o público ficar cada vez mais distante. Eu gostaria muito que o futebol conseguisse vencer este modelo, o que não foi possível com o teatro. Agora, volto a repetir, Ronaldo não é o inventor deste modelo. Talvez o modelo inventado por Ronaldo é o de que a grana não vai só para a mão do cartola, mas do jogador empresário. Ou melhor, de que o lugar do jogador não é mais apenas o de suar a camisa, se desgraçar de trabalhar fisicamente e ficar com 'cachê'. Eu acho que, pelo menos, Ronaldo inaugura o modelo do jogador que pensa - e pensa muito - na profissão como investimento, sobretudo para depois da aposentadoria. Não estou dizendo que este modelo é bom, só não acho pior do que o dinheirão ir para a mão dos cartolas."


Pois eu sei que meus argumentos são meio (ou muito) ingênuos para quem é expert em futebol (ora, somos todos experts em futebol... até doutorandos!) É que eu prefiro falar assim, com meus argumentos toscos, mas é o que eu penso mesmo, sabe, essa minha admiração por Ronaldo que é meio de todo brasileiro e eu acho que os comentaristas e colunistas e especialistas e tudo-istas tem uma tendência a escrever sobre as coisas com as quais não concorda e fica um reclama-reclama sem fim. E no fundo (eu escrevo blog de futebol e de teatro e sei bem que) quem escreve - sobretudo se dizendo especialistas - escreve porque de algum modo, em algum lugar do passado desejou fazer do universo sobre o qual escreve seu próprio mundo, sua própria história e, por uma razão ou por outra, não conseguiu e, tranquilamente (ou não) continua no ramo, só que comentando, criticando, criando hipóteses, sugerindo como seria se fosse ele...

Eu, por mim, gosto muito de falar das coisas que gosto e assumir algumas das minhas dúvidas e inabilidades (aquelas que consigo enxergar). E se é pra falar do que eu gosto, pode ter certeza, que vai rolar o nome do Fenômeno no meio.

Porque, como já falei inúmeras vezes, admiro sua simpatia, seu carisma, seu talento, sua competência para o jogo e para o mercado. A forma como se faz respeitar por todos, sobretudo por essa mídia nojenta que respeita pouquíssima gente. Admiro sua história, sua trajetória, a forma como conduziu e como continua conduzindo sua carreira. Considero-o um marco na nossa geração e um modelo de insistência e perseverança.

Se sai do palco do futebol, como artista genial que foi, entra para seus bastidores, e quem sabe possa introduzir neste mundo mercantilista cinza e estéril, alguma vida, alguma alegria e algum valor humano. Respeito, inteligência e humanidade para isso, eu tenho certeza que ele tem. A REVISTA PLACAR deste mês dedica-se a reconhecer o talento do menino dentro e fora do Campo. Apesar de ser um texto chato, vale a pena conferir.


É bolada, artista-empreendedor!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

HOCKEY: Uma cidade desvelada num esporte paixão nacional - Por Cecília Accyoli

Gente.

A bonita da Cecília não foi para Pituaçu com a gente, quando a turma de doutorado foi ver BAHIA X NÁUTICO o ano passado. Ela foi viver coisa parecida lá no frio do Canadá, pode? E aí, a gente conversando sobre a experiência eu a INTIMEI a escrever para o Blog. Quando ela voltar, já sabe, né: sol escaldante na cabeça. Pituaçu, sem falta, bonita.

Curtam um pouquinho da paixão nacional canadense.


Cecília, cumprindo créditos no Canadá

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Como me descobri CANUCK!!! Cecília Accioly


A convite de minha querida Drica, aceitei o desafio de escrever esta nota sobre uma experiência completamente nova:

Assistir (e torcer) a um jogo de Hockey!

Fomos, eu e alguns amigos canadenses, a um típico pub, em Downtown Vancouver, assistir à semi-final da Stanley Cup – da Liga Nacional de Hockey (NHL). A primeira coisa que passou pela miha cabeça foi: como se assiste a este jogo? Quais as regras? Pode gritar? Como seria torcer por um jogo que eu ainda não conhecia?

O jogo: San Jose Sharks vs. Vancouver Canucks. Semi-final. Jogo de volta – os Canucks ganharam o primeiro na ensolarada casa do adversário. O pub lotado. Todos em seus acentos com olhos nos enormes televisores espalhados pelo local. Todos de azul, branco e verde...eu estava de azul.

E para comer?? Via os garçons freneticamente passando com os enormes sanduíches – tamanho canadense – muitos nachos, yam fries... para mim: Chicken BBQ pizza. O jogo teve sabor de pizza de frango ao molho de churrasco com cebolas roxas, coentro e jalapeño. Enormes copos de cerveja de aveia desfilavam e faziam barulho nas mesas, acompanhando os sons dos talheres, das conversas...

O jogo começa...uma enorme tensão se instala. Primeiro, o hino estadunidense do adversário visitante, depois, o local para, todos se levantam, e cantam a plenos pulmões com todo orgulho seu hino bilingue: “O Canada! Our home and native land! … Ô Canada! Terre de nos aïeux...”, “O Canada, we stand on guard for thee. … Protégera nos foyers et nos droits”. O disco é liberado, e começa o movimento dos jogadores.

A velocidade é incrível! A agilidade dos jogadores também. O jogo dura um total de 60 minutos, divididos em três tempos de 20 minutos, com intervalos de trinta minutos e mais dois minutos de intervalo durante cada tempo para os comerciais da TV. Sendo necessário, tem-se mortes súbitas até que o jogo se defina.

E, de repente, aqueles cidadãos silenciosos, com um enorme respeito ao espaço individual alheio, que falam baixo, e se tocam em caso de necessidade ou intimidade se transformam.

Eles gritam como se interferissem no andamento do jogo, xingam o técnico, o juíz, levantam, roem unhas, acompanham com radinhos (no país da tecnologia, são seus iPods, iPads, iPhones4...mas da mesma forma que conhecemos aquelas criaturas que precisando de mais de uma narração assistem pela TV e ouvem seus radinhos de pilha que não abandonam neste momento de sofrimento, paixão...deleite.).

E o grito de GOOOOOOLLLLL! Sim, no Hockey grita-se gol...Goal! Meta atingida! E as pessoas se abraçam...e se sentem no estádio – por sinal bem perto dali – e beijam suas camisas, e choram, e pedem mais cerveja, e comem mais snacks...e eu mais uma fatia de minha pizza.

Resultado do Jogãããão: 3 para o Canucks, 2 para o Sharks! Sim...os tubarões perderam num jogo eletrizante, hipnotizante, de movimentos rápidos, certeiros, de lâminas cruzando o gelo, de jogadores imprensados contra as paredes que cercam a arena, de tacos e miras e um fantástico espírito de equipe! Lindo!

E o VANCOUVER CANUCKS, após 17 anos, está na FINALLLLL!!!! O narrador gritava sem parar! Do jeito que nós conhecemos, falando rápido, abraçando os comentaristas – técnicos, jogadores e juízes antigos que, não atuando mais, participam com seus discursos verbais...

E vi a cidade tomada por bandeiras, pessoas orgulhosamente vestidas....e percebi que elas sempre estiveram lá...explodindo deste amor pelo time, mesmo ele não estando numa final há 17 ANOS. Mas de repente às enxerguei pelo jogo, e de repente eu estava torcendo também, e de repente gritava xingamentos e falava com o técnico através da TV... e perguntei a um de meus amigos o que significava Canuck...: “é o mesmo que canadense, só que num apelido...”. E lembrei da Bahia e do Baêa... e via as pessoas gritando “Go Canucks, Go!” nas ruas...e os mesmo dizeres nos ônibus...e vi uma cidade apaixonada...e pelo jornal, um país apaixonado pelo seu representante nesta copa norteamericana.

A Grande Final terá início nesta quarta-feira, 1 de junho de 2011. Mas o sofrimento é enorme, pois dura 7 jogos. E dia quinze de junho de 2011 teremos finalmente o resultado, na Arena Rogers, Casa dos Canucks, do último jogo entre o time de Vancouver e o BOSTON BRUINS.

Uma linda batalha do Oeste contra o Leste... E que vença o melhor...mas, de coração, GO CANUCKS, GO!!!!!

É bolada, canadense!!!

Links elucidativos:

http://www.nhl.com/index.html


http://canucks.nhl.com/

segunda-feira, 30 de maio de 2011

UMA TORCIDA ARTILHEIRA

Gente, gente.

A vida está uma loucura lá pras bandas do http://www.artedoespectador.blogpsot.com/

Bem que Jesus avisou que em tendo dois deuses, num momento você abandona um para cuidar de outro.

E fora o blog, tem todas aquelas questões políticas e cotidianas no facebook, orkut e twitter.

As loucuras de Dona Dilma Roussef com esses estúpidos religiosos fundamentalistas. Porra, Dona Dilma!!!
Os desmandos do governador-vaidoso que só pavão, Jacques Wagner.
A inconpetência retumbante de João Henrique.
A estréia de Piratas do Caribe...
A pesquisa de doutorado (cá no fim da lista. rsrsrs)

Enfim, muita coisa para essa mãe-professora (em greve), pesquisadora-cozinheira-lavadeira de roupa que não pode ir pra máquina...

Mas, nada, absolutamente nada pode me impedir de comentar o jogo de ontem, né...



Torcida começa a lotar o caldeirão de aço - Richard Souza - Correio da Bahia
 Os insuportáveis repórteres-comentaristas-garotos-propaganda de tudo que puder ser anunciado naquele chato daquele programa da Bandeirantes já estavam fazendo bolão para ver se o Flamengo ia dar 4 ou 6 a zero no meu tricolor. Afi, que aquilo foi enchendo a gente... O Gaúcho (porque Ronaldo só tem um), reservou boate e tudo mais para comemorar a suposta vitória (argh).

Mas esse povo deve achar que tá fazendo é novela e não futebol. Certos de que sabiam o final, já tinham como certo não apenas a vitória (argh) do Flamengo, mas também a lavada.

Lavada?

Lavada ficou a alma do tricolor quando o Bahia fez o primeiro gol! Eu fico só imaginando a coisa linda que deve ter sido Pituaçu, porque eu não pude ir. Quando tentei comprar ingresso, já era até piada, não tinha nem pra remédio.

A cidade era tricolor geral! Que torcida linda, gente. Vai enfrentar um monstro do futebol brasileiro, sabendo que seu time tá daquele jeito que a gente não queria, mas ainda assim, veste sua camisa, hasteia suas bandeiras, coloca seus bonés, adorna sua janela, tudo para fazer parte da grande festa do futebol Baêano.

E eu digo, quem ganhou esse empate foi a torcida tricolor. Penso se Aristóteles estivesse vivo, ele ia ficar no meio da torcida gritando: CATARSE! CATARSE!

Porque foi isso que aconteceu em Pituaçu ontem. Pense a torcida tomando a virada do Flamengo. TERROR E MISÉRIA!

Agora, pense o torcedor do Bahia, acostumado a tomar gol, coitado, nos últimos minutos, fazer o gol de empate aos 44,quando o Flamengo já julgava o jogo ganho. PAIXÃO E ÊXTASE! Meu pai. Eu imagino o que foi aquele caldeirão.

E eu, que estava trabalhando no teatro, fazendo a cobertura de dois espetáculos no mesmo dia, acompanhava, enlouquecida, com as informações de Alam, que discretamente acompanhava o jogo pelo fone, mesmo fotogranfando o espetáculo. Quando o Flamengo virou, a gente desligou o rádio. Nada de tristeza. E qual não foi nossa surpresa quando a gente foi ouvir os comentários e soube que o nosso tricolor tinha empatado. Afi... parece quen não sabe o que é futebol...

Agora, é torcer - mesmo - para que este elenco novo de fato faça o campeonato como fez o jogo de ontem: com fibra, com sangue no olho, com vontade de ganhar. Quando o jogo for fora, fecha os olhos e pensa que a gente, a grande nação tricolor, está ali, de coração, em frente às TVs e coladinha nos rádios, vibrando, vestindo a camisa, beijando a bandeira e tabelando com o time para que seja um belo retorno à série A, como o Bahia merece, como o Bahia pode fazer.


O Flamengo se deu conta, ontem, de que sua torcida é grande, é linda, mas não é a única e que com Nordestino, meu pai, o buraco é mais em baixo...


É BOLADA, TRICOLOR DE AÇO!!!

sábado, 21 de maio de 2011

MAPA DE OPORTUNIDADES PARA A COPA

Ontem estivemos num evento do SEBRAE e da FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS, onde a intenção é mapear as possíveis oportunidades de geração de renda para Micro e Pequenas Empresas da área de cultura, relacionadas com a Copa do Mundo de 2014. Este evento está acontecendo em todas as cidades-sede.

O interessante é que estávamos lá os artistas, assim meio que perdidos, neste universo do empreendedorismo. Curiosamente havia muita gente de dança, algumas de teatro e umas poucas de música. Entre uma coisa e outra percebemos que as atividades culturais realmente têm um grande espaço a ser ocupado neste grande evento, que é ele mesmo, um evento cultural acima de tudo.

Ainda me incomoda ver as atividades culturais relacionadas diretamente ao turismo, não exatamente por estarem associadas, mas pelo fato de a cultura estar sempre subordinada ao turismo e a gente já lutou tanto para separar uma coisa da outra. Mas, enfim, quando vamos discurtir, percebemos que esta relação é real e que deve ser encarada de frente.

Não estou com muito gás para falar tudo que penso sobre a Copa do Mundo no Brasil, em Salvador, sobre minha querida Conquista ser candidata a sub-sede, ou mesmo sobre salário de professores e futebol. Sei que preciso entrar nestas questões o quanto antes, mas agora, realmente, estou sem gás. Fica o compromisso. Blog tem que ser com prazer, né, gente, se não não dá.


Quero apenas registrar que a COOPERATIVA BAIANA DE TEATRO tá na briga para ocupar importantes espaços na produção teatral de Salvador. Fazemos teatro muito bem, precisamos nos tornar empreendedores, competitivos e não tem tempo melhor para fazermos isso do que na preparação da Copa do Mundo. Grandes produtoras, grandes diretore, abram espaço que a Cooperativa Baiana de Teatro tá em campo para jogar de igual para igual.

É bolada, empreendedor!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

MEU ÍDOLO ESTÁ NO BANCO


O primeiro sintoma foi deixar de sofrer quando era jogo do Corinthians. Dizia que aquilo já não lhe fazia mais tanto sentido:

"Tanto faz..."

Aos poucos, nem sabia mais se o timão estava jogando ou se passava Faustão.

Entra tantas densas baforadas, cinzas, pesadas e cruéis, seus olhos foram ficando acinzentados como a nuvem constante que o acompanha, sempre do lado de fora da casa, buscando incomodar o menos possível.

O cabelo, cinza também. Ralo e cinza. A pele perdendo seu vigor, a coluna desistindo a cada dia. As pernas, uma puxando a outra. Uma mão no bolso, outra no cigarro e lá vai ele calmamente pelas ruas largas do Guigó. Mas, o mais eloquente, sempre foi o olhar.



Nosso país não sabe o que fazer com seus velhos. Eles saem do mercado de trabalho e desaparecem sem sumir. Sem função. Sem projeto. Sem desafio. Depois de quase meio século trabalhando, tendo enfrentado pau-de-arara da Bahia a São Paulo. De pedreiro a zelador. De garanhão a pai maduro. Nada disso parece garantir uma velhice plena, feliz ou animada. Zumbis, viram os homens de outrora.

Os conflitos pipocam e de repente, só a monstra fumaça cinza. "Meu amigo" como ele insiste.

A presença das filhas e netos é constante, mas não aplaca a solidão.

Voltar para o mato, para o seio da família, para o verde e o azul da roça, onde cantam passarinhos e cacarejam as galinhas, talvez traga paz à alma. E o olhar, um portal do passado. Quanta recordação.

Eu não entendo meus sentimentos. Minha compreensão e força súbitas. Meu silêncio e meu suspiro. Minha vontade de acertar. Meu otimismo talvez bobo e infundado, talvez certo e decisivo.

Não sei de nada, não quero nada. Existo e amo e só isso me basta.

Quando rezo, peço qualquer coisa, peço o que seja bom, sem saber o que isso é. Mas rezo e sempre adormeço no terço. Sono bom.

Não vejo nem sinto nada com clareza, nessa nuvem espessa, cinza e cruel.



Essa fumaça inimiga que cerca e vence, sempre vence.

Mas, só ele sabe de si. De seus dias de glória e de seus dias de banco. Respeito suas decisões e seus apegos. Não sou moralista. Não aconselho. Não dou sermões. Escolha seus amigos. Escolha suas formas. Escolha suas saídas. Ao menos isso deve restar a um homem.

Na base, outro pequeno homem se prepara. O jogo não pára. E eu no meio, cercada desses incríveis homens maravilhosos que me ensinam e me completam. No mês das mães, noivas e marias, louvo os homens da minha vida e seguro a mão do meu ídolo sentado no banco.



ÁRVORE DA ESPERANÇA! MANTÉM-TE FIRME! (Frida Kahlo)

domingo, 8 de maio de 2011

DE MENINOS E DE 'LOBAS' - Iniciação de um garoto e recordações feministas

Eu sei que hoje começam as finais do Campeonato Baiano e o que se espera de um blog sério sobre futebol é que este seja o assunto. Mas já que tem blog sério demais falando sobre o assunto e ele literalmente não me inclui, vou falar das delícias de ser Bahia, mesmo sem título estadual há dez anos. Com essa dor a gente convive e um dia ela passa. Pior era estar na Série B.

Patrícia Pires Pacheco, a nossa adorada PPP, é amiga de longas datas. Ainda não é loba, mas eu precisava de um título, né... E como hoje é dia das mães, publico aqui seu depoimento emocionado, sobre suas recordações feministíscas sobre o futebol e sobre a iniciação de seu filho macho Bahêa no ritual do futebol. De quebra, umas palavrinhas saudosistas do papai de Jerônimo, mais uma baêazinho retado.

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Eu não gosto de futebol.


Mas já foi pior... até pouco tempo atrás eu odiava futebol.

Na infância acho que meu desgosto era um tipo de solidariedade à minha mãe que até hoje acha o futebol uma grande besteira. E assim, mesmo durante as tais copas do mundo eu e ela não estávamos nem aí. Além disso, eu sempre associei o esporte à violência, rivalidade, competição, conflito, palavrões e essas coisas não levam ninguém pro céu... Por que eu fazia essas associações? Talvez pelos tipos de cenas que eu observava na TV, ou quem sabe pelas vezes em que meu pai voltava (e ainda volta) machucado do babas domingueiros.


Comunidade do baba domingueiro promovido por meu pai.

http://www.orkut.com.br/Community?cmm=90115380

Pra fechar minha birra, tem também aquela coisa que futebol “não é coisa de menina”, né... e já que, por isso, não me queriam lá eu também não fazia questão.

Mais crescidinha, entre a adolescência e a vida adulta eu até tentei não ser tão rígida... me vestia de verde-amarelo na copa, me deixava contaminar pela alegria do povo, tentava entender as regras e coisa e tal mas... nada.


Acho que meu “ódeo” começou a perder força quando passei a acompanhar o programa ROCKGOL na MTV 

Gente, eu me divertia muito com aqueles comentaristas esdrúxulos, cômicos e inteligentes. Adorava!  

Daí, acho que comecei a relaxar, continuava sem gostar de futebol, mas ele não mais me irritava tanto. Junto com isso acredito que meus estudos durante a graduação em antropologia me fizeram ver aqueles aspectos culturais do esporte, os significados para o ser brasileiro e tal e coisa e coisa e tal. Sem contar que comecei a perder o medo de não ir pro céu e admitir que afinal “violência, rivalidade, competição, conflito, sangue, suor e lágrimas” é também coisa de deuses.


Fase 1 - Primeiro uniforme completo aos 3 anos.

Posso dizer que hoje o único engasgo que ainda permanece em mim, mesmo nesse âmbito da compreensão acadêmica do futebol como fenômeno sócio-cultural (uau!), é essa coisa do dito-cujo ser uma representação do universo machista. E sendo assim, penso que pior do que nós mulheres estarmos de fora dele é estarmos dentro mas em cantos determinados pra nós: ora como enfeites nas arquibancadas, ora no papel das chamadas “maria-chuteira”.


Mas, ranços feministas a parte, tem uma coisa que atualmente é responsável por essa minha (quase) simpatia por esse complexo cultural chamado futebol: a paixão da minha amiga querida Adriana Amorim. É lindo ver ela torcendo, se envolvendo , comentando, participando, analisando... E é tão interessante essa relação entre teatro e futebol e as dinâmicas entre espetáculo e espectador. Hoje, Diana é uma referência futebolística pra mim (rsrs), tanto que só lembrei dela quando eu e Heron fomos levar nosso filho de 5 anos para o seu ritual de iniciação no universo futebolístico – fase 2 - ir ao estádio (a fase 1 é vestir o uniforme completo e expor a criança para que todos saiba pra que time afinal ela torce, e a fase 3 é ir ao estádio em dia de clássico – que pretendo “liberar” daqui uns 10 anos...)


Infelizmente Diana não estava lá nesse dia, bem, nem ela nem quase ninguém já que escolhemos um jogo “morninho” só para gatos-pingados. Mesmo assim, cheguei tensa imaginando mil-maluquices-de-uma-mãe-neurótica que poderiam acontecer naquele espaço enoooorme, imponente, palco de espetáculos sangrentos... ops, isso eram nos coliseus rsrsrs

Chegamos cedo(bem cedo, na verdade), e achei lindo aquela bandeirona estendida do lado de fora.

Entramos e aprendi que antes de cada jogo tem um outro jogo(ninguém merece! rsrs) dos mesmos times só com jogadores aprendizes, não profissionais, de base ou coisa parecida.

E enquanto a bola oficial não rolava o pai aproveitou para levar o filho pra dar uma voltinha no estádio.

A partida de verdade rolou finalmente, era Bahia x Serrano. O pai se encarrega de explicar algumas coisas específicas do jogo e eu mostro pra ele um pouco dos bastidores como a repórter que vemos na TV, etc. Lá pelas tantas uma jogada infame do Bahia é seguida pelos esbravejos de alguns torcedores esbravejam e meu filho diz gritando: “Ô, não fala assim com o Bahia!” Todos riram do que ele ainda não aprendeu.

 
O jogo antes do jogo ou “se não guenta, pra que vêio!!”.

Aí então, já quase no final do primeiro tempo começou a chover. E foi aquele corre-corre danado, muda de lugar, se esconde nas barracas, mas não teve jeito, ficamos encharcados.

Mas tudo bem, não pode ter “batizado” sem água, né?

Começamos a assistir o segundo tempo mas o nosso pequeno iniciado - que já tinha visto tudo que tinha que ver, comido tudo que tinha que comer - já estava exausto e impaciente para ir embora. Para convencê-lo a esperar mais um pouco enquanto o pai debruçava seu olhar de esperança sob o campo, improvisei uma bola com uma garrafa de água mineral vazia e, acreditem, mãe e filho se divertiram muito trocando alguns passes. Por fim, para garantir a tranqüilidade de todo o rito, saímos pouco antes do fim do evento.

E foi assim Diana, a estréia de Jerônimo no estádio, espero que você e seus leitores gostem!

P.S.: Dedico esse texto ao meu pai, torcedor do Santos e que até hoje joga seu baba domingueiro.


P.S.2: Gente era só pra falar da estréia do meu filho e eu acabei fazendo um “Essa é a minha vida” falando de futebol... tá vendo só o poder do dito-cujo!

 
Não basta ser mãe, tem que vestir a camisa.
 
DEPOIMENTO DE HERON, O PAI



Filho mascarado e pai orgulhoso.

Bi,

Minhas memórias daquele dia são muito agradáveis. Foi a segunda vez que fomos juntos a um jogo do Bahêa, e desta vez com Jerônimo. Foi um dia onde tudo deu certo, desde o local do estacionamento, travessia da av.Paralela, compra de ingressos, lanches e bombons! O estádio estava calmo. Repeti com a nossa cria o ritual da apresentação ao futebol que recebi de meu pai. Assim como eu, ele fez um reconhecimento do espaço físico do estádio, da atitude e postura das pessoas, da energia da torcida, da sensação de ver o jogo ao vivo, de interpretar o placar eletrônico, etc. Viu Paulo Sergio com Dandan, também todo vestido de Bahêa. Adorou chamar os ambulantes mercando bombons, pipoca, água, sorvete, etc. Reagiu quando os próprios torcedores do Bahêa chingaram o time. Viu a carga viva de um gol do Bahêa, que ganhou o jogo!!

A chuva, que causou aquele reboliço inicial, acabou me levando ao prazer de reencontrar Davi, um antigo, e querido , colega de trabalho de meu pai, o qual tive o prazer de conviver quando fiz estágio na Petrobrás (em 1988), por 6 meses, no próprio ambiente de trabalho deles. Quando eu ainda era bebê, e tive uma virose, esse mesmo colega deu grande auxílio a meu pai nos levando a um hospital, numa época que meus pais ainda não possuíam automóvel. Foi profundamente emocionante reconhecê-lo ali na lanchonete do estádio, depois de ser (novamente) amparado por ele, para quem eu havia me prostrado de costas, e que só pude reconhecer quando me virei para agradecer o pequeno recuo que aquele cidadão havia dedicado a nós três, ali ao amparo da chuva. Coletei o número do celular dele e entreguei a meu pai, que emocionou-se juntamente com suas lembranças.


Já no final, encontrei Vavá, amigo, colega de especialização e de mestrado, que me comunicou da primeira gravidez de sua esposa, enquanto olhávamos você e Jerônimo brincando de futebol com uma garrafa de plástico.

Saímos antes do final do jogo. Uma saída tranqüila de volta pra casa. Enfim, foi um dia muito feliz mesmo!

bj,

Bê

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É bolada, mamãe-torcedora!