quinta-feira, 19 de abril de 2012

PRA NÃO DIZER QUE NÃO VI A VITÓRIA

Seria indelicadeza e imaturidade minhas deixar de comentar a virada histórica do Vitória ontem pra cima do ABC.

Não vou falar sobre o jogo, porque eu nem assisti. Acompanhava desinteressadamente no facebook a tristeza pálida dos torcedores que comentavam uma coisa aqui outra ali.

Mas, eis que de repente, comecei a ler comentários sobre a virada. Primeiro, não vou negar, me chateei, pois como tricolor sempre torço para que o Vitória não vença. É coisa de torcedor, gente. Não me venham por favor com teorias territorialistas de que tenho que torcer pra time baiano. Já falei mil vezes sobre esse assunto. Torcedor torce por si e contra o arqui-rival. É um fato!!! Se quiser ler sobre o tema clique aqui. Outro posto sobre o tema, clique aqui.

Vi que dois gols tinham sido de pênalti, a marca do Vitória e seu artilheiro e fiquei ainda menos interessada do assunto. Vitória ganhar com pênalti nos acréscimos não é novidade.

Hoje, porém, vendo as imagens do jogo me dei conta de que estava diante de um importante momento da minha pesquisa. Um jogo decisivo que a 15 minutos do seu fim tem uma reviravolta impressionante comandada pelo mesmo jogador, Neto Baiano, com três gols quando a torcida já havia abandonado o estádio, realmente merecerá ser lembrado para sempre.

A imagem mostrada no Globo Esporte, dos torcedores todos com a camisa 10, saindo derrotados do estádio e os jogadores acreditando ainda, sobretudo a partir do primeiro gol. A garra de Neto Baiano correndo com a bola para o jogo andar, foi realmente impressionante.


É engraçada a dramaturgia, ou melhor, as dramaturgias possíveis ali.


O que era uma derrota certa para o torcedor, era uma classificação concreta para o adversário, o ABC.


E para os jogadores, mais especificamente para Neto Baiano? O que era?


E para o juiz? Ter que decidir (e bancar) por marcar dois pênaltis numa situação desta?

Mesmo que se questione os pênaltis, que eu não acho que seja o caso, há que se admitir que o Vitória teve garra para estar durante os 15 últimos minutos no ataque, se não não teria sofrido os pênaltis. Sei que o torcedor pergunta: por que não fez nos 90 o que fez em 15? Haja coração!!!!

Fico imaginando o que se passa na cabeça de todos esses agentes durante o jogo. Fico imaginando o que se passou dentro daquele campo nestes 15 minutos. Na cabeça do artilheiro.

E ainda falando de dramaturgia da leitura, que eu defendo na minha dissertação do mestrado, o que é uma festa de superação para o rubro-negro, é uma tragédia a ser esquecida, pelo ABC e sua torcida.


A vitória tornou-se possível quando Neto Baiano decidiu que seria possível.

Isso realmente foi lindo de ver (Mesmo que em reportagens, como no meu caso.)

Agora, aquela dica de tricolor para o torcedor rubor-negro: nunca mais abandone o seu time. Mesmo que ele não tivesse feito o milagre de virar aquele jogo, era justamente quando ele mais precisaria de você. Geralmente a torcida dá lições ao clube. Ontem foi o contrário. Que se aprenda!

Como se diz em bom soteropolitanês: Neto retou!!!

Ficam aqui meus sinceros parabéns ao Vitória, de quem eu pego tanto no pé, como tricolor que sou, mas que reconheço o mérito da vitória histórica de ontem. Com certeza este evento fará parte de minhas análises, pois foi um grande jogo.

Só não me peça para torcer pelo Vitória na Copa do Brasil, até porque o Tricolor tá no páreo!



É bolada, Rubro-Negro!